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Brasileira
Brazilian Rhapsody
Pianista
erudito argentino acerta com versões de clássicos brasileiros
Regina
Porto
Raros
intérpretes consagrados na música erudita ousam arriscar a reputação
fazendo música popular. O preconceito e a cobrança, afinal, são
mútuos. O pianista argentino Daniel Barenboim é dessas exceções,
e talvez mais surpreendente pela estatura: é concertista, maestro
titular da Sinfônica de Chicago e diretor musical da Ópera Estatal
de Berlim. Barenboim colocou um pé na música popular oficialmente
em 1996, com Tango Among Friends – Mi Buenos Aires Querido,
um disco sem truques e tão sinceramente trágico que soava como se
tivesse saído da noite portenha. No ano passado, ele foi ao jazz
e fez Tribute to Ellington, com a vocalista Dianne Reeves e o clarinetista
Don Byron.
Agora
ele se curva ao Brasil. Seu recém-lançado Brazilian Rhapsody
é uma espécie de cartão-postal verde-amarelo. O repertório pode
até ser um pouco estereotipado, mas resulta espontâneo e bem feito.
Barenboim é um virtuose suingado. Com Cyro Baptista na percussão,
ele contagia os também eruditos Emmanuel Pahud (flauta), Alex Klein
(oboé) e Larry Combs (clarinete). São 15 faixas, de “Tico-Tico no
Fubá”, de Zequinha de Abreu, a “Bahia”, de Ary Barroso. Entre elas,
títulos de exportação (“Manhã de Carnaval”, “Aquarela do Brasil”)
e a presença de Milton Nascimento em “Travessia” e “Eu Sei que Vou
te Amar”. Já dos clássicos nascidos da rua, ele escolheu a ária
da “Bachianas nº 5”, de Villa-Lobos, e as sofisticadas peças do
francês Darius Milhaud inspiradas no Rio dos anos 20.
Suingue
sem truques
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