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Ping-Pong
Índio
conta a história real do Saci
Lilian
Amarante
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Silvana
Garzaro
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| Jekupê:
“O Saci existe” |
O Saci
Pererê personagem do folclore brasileiro imortalizado
por Monteiro Lobato não tem uma perna só, não
é negro nem usa carapuça. Quem contradiz um dos maiores
nomes da nossa literatura é Olívio Jekupé,
índio guarani e autor do livro O Saci Verdadeiro (UEL,
tel: 43 371 4674, 33 págs., R$ 10). Ex-aluno de Filosofia
da Universidade de Londrina e da Universidade de São Paulo,
Jekupê registrou a versão indígena da lenda.
Casado e pai de dois filhos, ele mora numa aldeia, em São
Paulo. Sem computador ou máquina de escrever, ele já
escreveu três livros.
Como
é o Saci verdadeiro?
É um personagem indígena que tem nomes diferentes.
Em guarani ele se chama Kambaí; em tupi, Iaci Pererê
e no Amazonas, Matinta Pereira.
Como
ele é?
Tem duas pernas e não usa carapuça. O que lhe dá
poderes é um colar chamado Baêta. É uma entidade
da floresta que ajuda os homens e, ao contrário do que diz
Monteiro Lobato que ele morre de sete em sete anos para que
um novo saci nasça do taquaral , ele não morre
nunca.
De
onde vem o Saci de uma perna?
Na África existe um personagem negrinho de uma perna só
que se chama Ossaim. Para se defender dos castigos dos brancos,
os escravos misturaram a história de Ossaim com a do Iaci
Pererê.
E
Monteiro Lobato?
Ele criou uma ficção exagerada da história.
Por
que você escreveu um livro?
É importante para a literatura brasileira ter a visão
certa do personagem.
Seu
livro é uma ficção?
O índio não tem costume de usar essa palavra. O Saci
não é um mito, é uma história. E ele
existe de fato.
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