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Antologia
Biblioteca
de Cordel
Coleção
destaca 50 poetas populares de norte a sul do País
Paula
Alzugaray
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O caso
da mulher ciumenta que decepou o marido farrista e mulherengo –
espécie de Lorena Bobbit nascida na cidade de Salvador nos anos
40 – foi um prato cheio para Cuíca de Santo Amaro. Com verve de
repórter popular, o poeta de cordel documentou 30 anos de crimes,
desastres, escândalos sexuais e políticos da vida cotidiana baiana.
Cuíca vendia seus versos no Elevador Lacerda e chamava tanta atenção
quanto os casos que reportava. Sua figura – vestida de cartazes,
chapéu coco, calças listadas, fraque e rosa na lapela – inspirou
personagens de O Pagador de Promessas, de Dias Gomes, e Bahia
de Todos os Santos, de Jorge Amado.
A obra
apimentada e sensacionalista do poeta andarilho está em Cuíca
de Santo Amaro – Controvérsia no Cordel, um dos primeiros lançamentos
da coleção Biblioteca de Cordel (Editora Hedra, R$ 10 cada), que
se propõe a traçar um panorama da poesia popular brasileira. De
um vastíssimo terreno – dois mil autores que produziram mais de
30 mil folhetos de norte a sul do País – cinqüenta poetas populares
foram selecionados. Os livros contam com um estudo introdutório
seguido por uma antologia de poemas.
Os
cinco primeiros volumes já chegaram às livrarias. São eles, o poeta,
editor e astrólogo Manoel Caboclo; o engajado poeta paraense Zé
Vicente; o “intelectual” da poesia popular Rodolfo Coelho Cavalcante
e o não menos que genial Patativa do Assaré, que aprendeu a ler
sem ponto nem vírgula e compôs sua poesia declamada ou cantada durante
o trabalho com a terra. Esta semana, chegam ainda, os contemporâneos
Minelvino Francisco Silva, Expedito Sebastião da Silva e o pioneiro
João Martins de Athayde.
Nascimento
em dia de finados, peleja em festa de São João, luta de padres contra
dragões da maldade, o flagelo do Nordeste, a adesão brasileira às
tropas aliadas contra o regime nazista. Da história cotidiana do
sertanejo aos acontecimentos políticos mais transcendentes da história
recente do Brasil, nada escapou à poesia de cordel.
O
Brasil como ele é
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