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Divulgação
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| Rezende
durante as filmagens de Quase Nada |
O
cineasta Sérgio Rezende sabe onde pisa. Depois de Mauá,
o Imperador e o Rei (1999), considerado pela crítica
um filme de investidor, e do dispendioso Guerra
de Canudos (1997), o diretor ataca em Gramado com Quase
Nada, que custou menos de R$ 1 milhão e foi rodado
em três semanas com uma equipe de apenas 12 pessoas. Rezende
concorre aos Kikitos com outras oito produções latino-americanas.
Pouco antes de embarcar para a serra gaúcha, o diretor
conversou com Gente.
Por
que fazer um filme de inspiração rural?
Vivi de perto os fatos que me inspiraram para este filme. Coisas
que aconteceram há quase 15 anos, pequenas tragédias
de gente do campo, que nunca esqueci. Crimes que nunca saíram
nos jornais, de pessoas que vivem sem Marx, sem Freud e mesmo
sem Deus. Achei que dar imagem a esses invisíveis
da sociedade brasileira era uma boa tarefa para o cinema.
De
onde vem o título do filme?
De uma crônica de Jorge Luis Borges sobre as carroças
de Buenos Aires do início do século. Elas carregavam
inscrições, como as atuais frases de pára-choque
de caminhão. Quase Nada era uma delas. O filme foi
feito com quase nada de dinheiro, é sobre gente quase
nada no Brasil contemporâneo.
O
Homem da Capa Preta (1988) ganhou o Kikito de Melhor Filme. Tem
a mesma expectativa com Quase Nada?
Disputar prêmio em festival é como jogo de futebol
decidido em cobrança de pênalti, ninguém sabe
qual vai ser o resultado.
Está
trabalhando em algum novo projeto?
Estamos trabalhando num filme sobre o universo do samba nos subúrbios
do Rio de Janeiro, com título provisório de Não
Quero Mais Amar a Ninguém. A idéia é
filmar no ano que vem.