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Mel
Gibson
“Sempre
acordo com medo”
Herói
do filme O Patriota, o ator americano é católico, fuma como louco
e tem pesadelos com acidentes que possam vitimar seus filhos
Marcelo
Bernardes, de Nova York
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Foto:
Divulgação
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“Sou
muito preocupado com meus filhos e tenho pesadelos. Vejo um
deles debaixo de um carro. Acordo suando. É a pior sensação
para um pai”
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Numa
mesma semana, Mel Gibson recebeu convite para protagonizar três
filmes que resultaram nas grandes atrações do verão
cinematográfico americano deste ano. O primeiro, Gladiador,
ele descartou rapidamente. O ator não queria passar meses
em Malta, Inglaterra e Marrocos, longe de sua mulher, a ex-montadora
de cinema Robyn Moore, e da prole de sete crianças. Mar
em Fúria só foi parar nas mãos de George
Clooney porque, um pouco antes de o contrato ser assinado, o estúdio
Warner Bros. recuou, com medo do montante pedido por Mel Gibson:
US$ 25 milhões, mais porcentagem da bilheteria como bônus.
Gibson, então, resolveu assumir O Patriota, épico
sobre a guerra dos colonos americanos para se libertar da Coroa
britânica, do alemão Roland Emmerich. À primeira
vista, parece não haver muita diferença entre esse
filme e Coração Valente, de 1995, que deu a
ele dois Oscars. Os inimigos os ingleses continuam
os mesmos e a violência volta ainda mais sangüinolenta.
Gibson disse que aceitou fazer esse filme porque seu herói,
Benjamin Martin, é medroso e covarde. Ele só entra
na guerra, junto com seu filho mais velho (interpretado pela nova
sensação da Austrália, Heath Ledger), depois
que outro garoto de sua família é assassinado à
queima-roupa.
Aos 44 anos e casado com a mesma mulher há 19, com o status
de maior superstar de Hollywood (ao lado de Tom Cruise e Harrison
Ford), Gibson é um homem que está se deixando envelhecer
naturalmente. Entretanto, as profundas linhas faciais ficam relegadas
a segundo plano diante de seus olhos azuis. O ator, que é
católico, anti-aborto e tem posições políticas
conservadoras, fumou sem parar durante esta entrevista à
reportagem de Gente na suíte de um hotel cinco
estrelas de Los Angeles. Ele vestia jeans e camiseta pólo
preta. Além de O Patriota, que estréia nesta
sexta-feira em circuito nacional, Gibson vai reaparecer nos cinemas
brasileiros no Natal, emprestando sua voz a Rocky, o galo protagonista
do desenho-comédia Galinhas em Fuga.
Você já interpretou vários guerreiros no
cinema: Mad Max; Frank Dunne, de Galipolli; William Wallace,
de Coração Valente. O que há de diferente
agora com Benjamin Martin, de O Patriota?
Dessa vez, meu personagem é totalmente medroso, tem pavor
da vingança dos outros e teme pelos seus sete filhos. Só
sai de casa para brigar se for confrontado ao máximo. É
religioso, talvez por isso esteja sempre à espera de uma
intervenção divina. Interessante é que ele
tem um monte de defeitos como qualquer pai. Na verdade, o patriota
mesmo é o filho dele.
Como
entrar na cabeça de um personagem desses?
Você não precisa usar muito a imaginação
para saber a devastação que é a perda de um
filho para um pai. Assumir um personagem desses consome toda energia.
No momento, estou filmando uma comédia (What Woman Want,
de Nancy Meyers) e tem sido também um grande desafio. Qualquer
que seja o trabalho engraçado, pesado ou romântico,
é preciso achar a linha da verdade do personagem. Quando
a gente olha Jim Carrey e dá risada por alguma coisa bizarra
que ele faz, percebe que no momento, ele se identificava totalmente
com aquela atitude nonsense.
Você interpreta um pai. Por que os galãs mais maduros
de Hollywood resistem a essa idéia?
Nunca resisti. Essa é minha terceira vez interpretando um
pai de família. O problema é dos roteiristas que idealizam
a paternidade como uma coisa chata do dia-a-dia e não a enfocam.
Os filmes de hoje querem mostrar o Johnny Cool subindo na vida,
dormindo com qualquer pessoa, matando uns e outros (risos).
Como
você reagiria, caso acontecesse uma guerra e seu filho decidisse
combater?
Eu detestaria que meus filhos fossem à guerra, as guerras
quase sempre têm motivos econômicos. Mas se ele fosse
lutar por um bom motivo, talvez eu pudesse aceitar o fato.
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