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cultural
Paula
Azulgaray
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Tolentino
(esq.) e os poloneses: “Eles não conhecem o deboche”
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A
primeira montagem brasileira de Vestido de Noiva, de Nelson
Rodrigues, foi dirigida pelo ator e diretor polonês Ziembiski,
em 1943. Em homenagem à histórica montagem, o carioca
Eduardo Tolentino de Araújo, fundador e diretor do grupo
Tapa, estréia nova versão com atores poloneses. Foi
um processo lento de assimilação do texto para eles
e um exercício de comunicação muito estimulante
para nós, diz Tolentino. Do Brasil, o grupo de oito
atores só conhecia as telenovelas e a obra do escritor Paulo
Coelho. Nem mesmo de Ziembiski que morou em Lódz em
1938 e dirigiu cinco peças lá eles tinham ouvido
falar.
Para
montar a versão polonesa de Vestido de Noiva, Tolentino
partiu da montagem realizada em 1994 pelo Grupo Tapa. Mas as sete
semanas de ensaios conduziram o grupo a algumas alterações-chave.
No tom, por exemplo. Eles são sérios, românticos
e realistas. Não conhecem o deboche.
O trabalho consistiu em fazê-los ver que a peça tem
humor, conta Tolentino.
A explosiva
combinação entre humor, sexo e morte da obra de Nelson
Rodrigues produziu no grupo estrangeiro um efeito revelador. Cada
cena era uma chave que eu abria para eles, diz Tolentino.
A fim de trabalhar conceitos sobre a sexualidade, o diretor chegou
a procurar livros do psicanalista Sigmund Freud por todas as livrarias
de Varsóvia e não encontrou.
A
peça discute muito a libido e eles não tinham noção
sobre
esse conceito. O
teatro polonês fala muito de morte, mas eles estranharam o
fato de poder rir de uma peça que fala de morte.
Este
inusitado encontro cultural entre o Brasil e a Polônia já
teve três apresentações em Lódz, Varsóvia
e Cracóvia. Com legendas eletrônicas, a peça
tem estréia nacional na quinta-feira 20, em São Paulo,
e depois segue para Curitiba, Brasília e Rio.
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