|

Ping-Pong
João
Batista Gelpi
Lilian
Amarante
|
Silvana Garzaro
|
 |
| Gelpi:
relatos dos seis anos de prisão |
Em
um pacto de morte realizado em 1994, a jovem tcheca Lenka, 16 anos,
e o empresário brasileiro João Batista Gelpi, 59 anos,
cometeram haraquiri. Ela morreu. Ele sobreviveu e foi trancado em
uma prisão de Praga por seis anos. Pankrác
EC II (Tâmisa, 272 págs., R$ 29), que está
na lista dos livros mais vendidos de Gente, traz o
relato dessa experiência.
Como
surgiu o livro?
Escrevi muito na prisão porque,
do contrário, teria enlouquecido. Quando voltei, quis contar
o que aconteceu comigo.
O
que quis dizer nele?
Quero mostrar que a prisão não funciona, mesmo em
um sistema justo como o de Praga. É um sistema arcaico.
Você
vai escrever mais?
Vou escrever mais dois livros.
Sobre
o quê?
Um deles sobre o que aconteceu antes de Pankrác, minha história
com Lenka. O outro é sobre crônicas de São Paulo.
Você
já escrevia antes?
Escrevia mas não me satisfazia porque eu não tinha
um tema. Hoje eu tenho: a prisão e tudo que a cerca.
Você
sente que pagou sua pena?
Eu não devo mais nada a ninguém. Só a mim e
à minha consciência.
Você
leu Estação Carandiru?
Li em Praga e deixei o livro para o diretor de Pankrác.
Conhecendo
o interior dessas duas prisões, qual você escolheria
para a sua pena, se pudesse ter feito isso?
No Carandiru só há duas opções: você
morre logo ou vira uma fera como os demais. Lá em Praga dá
para manter a vida e a dignidade.
Você
era um empresário. Vai retomar essa atividade?
Não vou retomar nada. Agora sou um escritor.
Como
a tentativa de suicídio e a prisão mudaram você?
Estou mais tranqüilo, fico bem em casa. Continuo indo ao psiquiatra
e tomando remédios.
Qual
a maior marca?
A culpa. A Lenka não existe mais e é horrível
lembrar disso a cada minuto.
Como
você explica esse pacto de morte?
É a pergunta que mais fazem, mas não tem uma explicação
lógica.
Qual
a pior coisa dessa experiência em Pankrác?
Os outros. O ruim não são as grades, mas as pessoas
que estão lá dentro.
|