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Divulgação
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Jorge
Perugorría (à frente): personagem anônimo
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Quem
procura no cinema um filme leve, com o objetivo de se divertir
e esquecer as preocupações do dia-a-dia, deve ficar longe das
salas onde Estorvo estiver sendo exibido. Com a missão
de traduzir o romance de Chico Buarque, o cineasta Ruy Guerra
conseguiu passar para a tela toda a angústia do personagem anônimo,
vivido pelo ator cubano Jorge Perugorría (Morango e Chocolate,
Guantanamera), na sua fuga desenfreada e inexplicável.
Logo
no início, a imagem distorcida de Perugorría acordado pela campainha
de seu apartamento deixa claro que Estorvo – que estréia
sexta-feira 21 no Rio – não é um filme convencional. Em outros
momentos, a câmera nervosa de Ruy Guerra passeia de um ponto a
outro, acompanhando a inquietude do personagem. A utilização de
textos semelhantes aos da época do cinema mudo é outro recurso
do diretor para fundir o seu cinema com a literatura de Chico
Buarque.
Enquanto
foge de alguém que não sabe quem é, o protagonista reencontra
pessoas que não via há tempos, com destaque para o caseiro interpretado
por José Antônio Rodriguez, um dos maiores nomes do cinema e teatro
cubanos. Ao mesmo tempo em que procura a proteção da irmã, vivida
por Bianca Byington, o personagem de Perugorría se envolve em
uma trama de suspense com direito a traficantes e policiais corruptos.
Na medida em que prossegue na sua fuga sem destino, ele trai,
rouba e se degrada, sem saber direito o motivo de sua atitude.
Basta
prestar atenção ao filme para ter certeza de que Ruy Guerra sabia
o que estava fazendo. Alguns momentos de desconforto e uma certa
sensação de incômodo são inevitáveis, mas, no final, o espectador
que leu o livro fica com a impressão de que a obra de Chico não
poderia ter sido traduzida de outra maneira.
Tradução
literal