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Cantando
na chuva
Foi
uma verdadeira festa da chuva. A noite de gala em Salvador em que
o tenor italiano Luciano Pavarotti abriu as comemorações
dos 500 anos do Descobrimento, teve confirmada a previsão
de uma decana baiana, dona Canô. Eu não disse
que ela iria cair à noite?, resmungava a mãe
de Maria Bethânia, sobre a chuva torrencial que quase
provocou o cancelamento do show ao ar livre, na noite do sábado
8. Para ver o tenor cantar com Maria Bethânia e Gal Costa,
o ministro da Previdência, Waldeck Ornellas, e mais
de 7 mil pagantes receberam capas de plástico na entrada.
Todos vestiram. Ou quase todos. Carlinhos Brown declinou
e usou um guarda-chuva para proteger sua mulher, Helena Buarque
de Holanda. Já Antonio Carlos Magalhães
não quis nem um nem outro. Do primeiro pingo, nos acordes
iniciais de O Guarani, ao toró no dueto final de Gal e Pavarotti
em O Sole Mio, o senador do PFL ficou impávido e molhado.
Ele não é homem de colocar capa, comentou
outro senador baiano, Paulo Souto. O governador César
Borges seguiu o cacique e também ficou sem capa. Já
o prefeito Antônio Imbassahy não resistiu e
procurou a proteção de plástico. Nos três
dias que Pavarotti passou em Salvador, ele pouco conheceu da baianidade.
Tenho estômago frágil e prefiro verduras,
disse, dispensando comidas típicas. Sua única incursão
foi ver o Pelourinho de dentro do carro e segurar, na festa depois
do show, um berimbau.
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