|
Máquina de progresso
Como, criado e financiado pelos empresários,
o Sistema S impulsionou o desenvolvimento do País e mudou,
para melhor, a vida do trabalhador
O mundo em convulsão, nações afundando em
guerras, novas economias emergindo no vácuo, comércio
internacional crescendo – e o Brasil, por sua vez, discutindo
qual a melhor política para o desenvolvimento da nossa economia.
Esses fatos ocorreram em 1942, quando o Estado Novo de Getúlio
Vargas portava-se tal qual folha ao vento, ora flertando com o nacional-socialismo,
ora com o capitalismo, sem conseguir decidir qual o papel que o
governo deveria desempenhar para impulsionar a industrialização
em curso. Foi então que o conde Ermelino Matarazzo reuniu
seu pares na Confederação Nacional da Indústria
(CNI) e propôs a criação de um movimento para
que os próprios empresários financiassem o desenvolvimento,
sem esperar muito do governo. Foi assim que nasceu o Serviço
Nacional de Aprendizagem Industrial, o Senai. Mais do que simplesmente
suprir as necessidades de mão-de-obra qualificada para a
indústria, a partir das contribuições privadas,
a instituição tinha o objetivo de criar uma base –
e efetivar um projeto – para o desenvolvimento industrial.
De lá para cá, nesses 63 anos, muita água
rolou. Da costela do Senai logo surgiria um irmão siamês,
o Serviço Social da Indústria (Sesi), com o objetivo
de fazer a promoção social dos trabalhadores e de
seus familiares, como ajudar a rede pública a suprir as necessidades
de assistência médica e odontológica, por exemplo.
Como era de se esperar de uma boa idéia, o sistema seria
copiado por outros setores da economia. A Confederação
Nacional do Comércio (CNC) criou seu próprio sistema
em 1946, o Sesc-Senac. O princípio era o mesmo: que os próprios
empresários financiassem o desenvolvimento do setor terciário
da economia. Em 1991, seria a vez da Confederação
Nacional da Agricultura criar o Senar, instituição
que acumula as ações de formação profissional
e de promoção social dos trabalhadores rurais. Por
fim, há dez anos, a Confederação Nacional do
Transporte criaria os caçulas da família, o Sest,
voltado à assistência social, e o Senat, à formação
profissional.
“A educação tem de atender às demandas
do setor produtivo”, lembra o empresário Armando Monteiro
Filho, presidente da CNI e do Conselho do Sesi-Senai. “Neste
momento em que o País enfrenta o duplo desafio de se incorporar
à economia globalizada e de acompanhar a nova revolução
tecnológica na produção, esse sistema montado
pelos empresários jamais foi tão essencial”,
analisa o empresário Clésio Andrade, presidente da
CNT e do Conselho Nacional do Sest-Senat.
Juntas, essas sete instituições formam um gigantesco
sistema privado de apoio aos trabalhadores, o chamado Sistema S.
Também faz parte do sistema o Serviço Brasileiro de
Apoio à Micro e Pequena Empresa (Sebrae), instituição
na qual os empresários dividem a gestão com o governo
e os trabalhadores. Com unidades em 3 mil municípios, e em
todos os 27 Estados da Federação, o Sistema S só
perde em capilaridade para as redes públicas de ensino e
de saúde. Separadas, cada uma dessas entidades está
entre as maiores organizações não-governamentais
do País. Mas elas trabalham em parceria, buscando a sinergia
e a racionalização na aplicação dos
recursos – formando, portanto, a maior ONG do planeta. Juntas,
têm 4.774 unidades e pontos de atendimento fixos em todo o
País e 15,4 milhões de alunos matriculados por ano.
 |
| Origens: Os primeiros
cursos do Senai formaram mão-de-obra para o desenvolvimento
industrial; para atender os trabalhadores, surgiu o Sesi |
Ao longo de sua história, o Sistema S já formou mais
de 50 milhões de trabalhadores. Somente o Senai, o serviço
mais antigo, registra nessas seis décadas 38 milhões
de matrículas em seus cursos profissionalizantes. Em 2004,
cerca de 500 mil pessoas passaram pelas salas de aula do serviço
em algum de seus 265 cursos de Aprendizagem Industrial. Pelo Senac,
passaram nada menos que 1,9 milhão de aprendizes ano passado.
Os quatro serviços de assistência social, por sua vez,
atendem juntos a 8 milhões de pessoas por ano, entre trabalhadores,
familiares e a comunidade em geral. O maior deles, o Sesc, montou
uma infra-estrutura com 1.300 espaços esportivos, 821 cadeiras
odontológicas e 244 centros culturais. O Sest apresenta números
igualmente eloqüentes. Atendeu ano passado a 2,9 milhões
de pessoas; só de consultas médicas, foram 2,6 milhões.
Há dois anos, com a chegada do PT ao poder, teve início
um discreto movimento para reformar o Sistema S, aumentando a participação
do governo na gestão. No Congresso, já há dois
projetos tramitando com o objetivo de fazer com que as contribuições
das empresas passem pelo caixa do Tesouro antes de parar no Sistema.
Para fazer funcionar o Sistema, as empresas recolhem uma contribuição
compulsória de 2,5% sobre a folha de pagamento. A guia de
recolhimento passa pelo INSS, que cobra pelo serviço e repassa
o dinheiro automaticamente para as instituições destinatárias.
Para as de ensino, como o Senai, o Senat, o Senac e o Senar, vai
1,5 ponto percentual. Para as instituições sociais,
como o Sesc e o Sesi, segue 1,0 ponto percentual. São os
conselhos de administração das instituições,
formados por representantes dos empresários, que fazem a
gestão financeira do Sistema – sob a fiscalização
do Tribunal de Contas da União. O governo também indica
representantes para os Conselhos de Administração
de algumas entidades.
 |
| Contribuição
Ao longo de sua história, Sistema já capacitou
mais de 50 milhões de trabalhadores |
Quando avaliaram que era o momento de ultrapassar o projeto inicial
do Senai e decidiram fundar o Sesi, em 1946, dois dos mais visionários
empresários da história, o paulista Roberto Simonsen
e o carioca Euvaldo Lodi, justificaram a instituição
criticando os empresários que na época se perdiam
em competições pessoais, “com ausência
total de espírito social e de consciência de seu papel
na vida do País”, conforme as palavras de Lodi. Passadas
quase seis décadas, a discussão essencial é
de outra magnitude. Quase a totalidade dos líderes empresariais
brasileiros trabalha para a construção de uma sociedade
mais justa e saudável. Isso já não se discute.
Mas numa Era em que a redução do intervencionismo
do Estado na sociedade civil é realidade e a onda de privatizações
é planetária e irreversível, o País
tenta encontrar novos caminhos para o crescimento econômico.
Nesse ponto que vale lembrar que o Sistema S tem importantes contribuições
– e exemplos – a apresentar aos atuais formuladores
das políticas públicas de desenvolvimento. Vale conhecer
os exemplos. 
 |
 |
O
QUE É QUE O SISTEMA TEM
Números mostram a grandeza dos serviços
prestados à comunidade
pelo Sesi-Senai, Sesc-Senac, Sest-Senat, Senar e Sebrae
 |
 |
ENSINO
4.774 unidades e pontos de atendimento fixos
em todo o Brasil
2.301 diferentes cursos profissionalizantes
15,4 milhões de alunos matriculados
por ano
ASSISTÊNCIA SOCIAL
86,2 milhões de atendimentos
médicos e odontológicos por ano
158 milhões de atendimentos
em ações de assistência social
29 mil voluntários e 2.500 empresas
parceiras para ações sociais
ESPORTE, LAZER E CULTURA
9,2 milhões de participantes
e 139 milhões
de visitantes em atividades de esporte e lazer
74 milhões de visitas por ano
a 220 bibliotecas
e 244 centros culturais, teatros e cinemas
14 mil leitos em hotéis
e colônias de férias para trabalhadores
EMPREENDEDORISMO
463 mil serviços de assessoria
técnica-tecnológica às indústrias
60 mil cursos, seminários e
palestras sobre empreendedorismo
38 mil expositores em 1,7 mil
feiras para a divulgação de empresas
|
 |
|
 |
| |
|
 |
 |
 |