22 de abril de 1998





Legenda barata
Deputados do PPB acham pouco os R$ 3 milhões que Maluf teria oferecido

 

Mais uma vez, o ex-prefeito Paulo Maluf vê seu nome envolvido em uma operação de compra de votos. Desta vez, teria oferecido R$ 3 milhões ao ex-deputado Gastone Righi em troca do apoio do PTB a sua candidatura ao governo de São Paulo. Em cotas de R$ 600 mil, o dinheiro seria dividido entre o próprio Righi e os quatro deputados federais do PTB paulista. A oferta foi revelada por um deles, Duilio Pisaneschi, durante um bate-papo com seus colegas de bancada na manhã da quarta-feira 15. Trechos da conversa foram publicados no dia seguinte pela Folha de S.Paulo. "Isso é uma prática comum, porém condenável", censurou o líder do partido na Câmara, deputado Paulo Heslander (MG). Como punição à gula de seus colegas paulistas, Heslander anunciou que em São Paulo caberá à Executiva Nacional do PTB decidir se o partido vai mesmo de Maluf ou sobe no palanque da reeleição do governador tucano Mário Covas.

Enquanto a cúpula petebista agia rápido para reduzir os estragos causados pela barganha com Maluf, o PT também não perdeu tempo. Entrou em Brasília com uma representação na Corregedoria da Câmara para investigar o envolvimento na negociata de parlamentares petebistas. Em São Paulo, o partido pediu à Justiça Eleitoral para apurar a denúncia. "Um fato como esse, se comprovado, configura abuso de poder econômico que pode levar ao indeferimento do registro das candidaturas", disse o ministro Ilmar Galvão, presidente do Tribunal Superior Eleitoral. Se a Justiça concluir que Maluf tentou mesmo comprar o apoio do PTB, ele e os petebistas poderão ficar inelegíveis por três anos. "Desconheço esse assunto", desconversou Maluf, na quinta-feira 16.

Apesar da negativa de Maluf, a depender da reação dos deputados flagrados pela Folha, quando discutiam a oferta do presidente do PPB, a Justiça não terá maiores dificuldades para comprovar a barganha. "Isso é normal, todos os partidos fazem isso", afirmou na maior cara-de-pau o deputado Nelson Marquezelli (PTB-SP). "Achei a proposta de Maluf irrisória. Não vou receber migalhas, sozinho arrecado muito mais", desdenhou seu colega Vicente Cascione, numa tentativa de valorizar ainda mais o passe petebista. "Isso é um escândalo. Estão tentando justificar o injustificável", reagiu a deputada Marta Suplicy, candidata do PT ao governo de São Paulo.

Os petebistas de São Paulo conversaram sobre a proposta de Maluf logo depois de uma reunião da bancada do partido que decidiu continuar a apoiar o governo Fernando Henrique. Insatisfeitos com a perda de espaço na reforma ministerial, os petebistas encenaram uma rebeldia mas não convenceram FHC. Sem a menor disposição de devolver os cargos que têm no governo, voltaram atrás sem ganhar nada. Decidida a manutenção do apoio ao governo, permaneceram na sala apenas os quatro deputados paulistas. "Eu estou num partido de merda", choramingou Duilio Pisaneschi. "Você ainda qualifica o PTB, mas eu digo que o partido não existe", endossou Cascione. A conversa só ficou animada quando Pisaneschi contou a Marquezelli, Cascione e a José Coimbra que o ex-deputado Gastone Righi havia recebido a oferta financeira de Maluf.






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