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Medicina & Bem-estar  
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Por que ele não vai ao médico?
Pesquisa mostra os motivos pelos quais os homens resistem tanto a cuidar da própria saúde

GREICE RODRIGUES

SHUTTERSTOCK

Eles já foram até à Lua – mas ir a uma consulta médica, para a maioria dos homens, é missão quase impossível. Resistem enquanto podem e acabam sendo obrigados a recorrer aos serviços de emergência, quando muitas vezes pode ser tarde demais. Esse cenário se tornou tão preocupante que o Ministério da Saúde resolveu investigar as razões pelas quais os homens são avessos a consultórios – para cada oito consultas ginecológicas ocorre apenas uma urológica. As conclusões da investigação acabam de ser divulgadas e mostram motivos bem diversificados. O primeiro é a certeza de que são imunes a doenças. A segunda razão é a dificuldade para falar sobre assuntos sexuais, principalmente se o profissional for mulher. Além disso, eles se queixam da falta de atenção demonstrada por muitos médicos.

Com o objetivo de mudar esse comportamento, o Ministério estabeleceu parcerias com entidades como as sociedades brasileiras de urologia e de cardiologia e elaborou um programa de atenção à saúde do homem. Prevista para ser lançada no próximo mês, essa política de profilaxia tem como foco a criação de serviços que facilitem o acesso masculino aos hospitais. Serão criados centros de check-up específicos, além de estar previsto o lançamento de uma campanha dirigida à população masculina. “Não adianta criar um programa se o homem não vai aos consultórios. Hoje, eles só vão aos hospitais quando têm de se internar. Isso gera custos para o sistema e custos psicológicos para ele e sua família”, diz Ricardo Cavalcanti, coordenador no Ministério da área técnica de Saúde do Homem.

ROGÉRIO LACANNA/AG. ISTOÉ
EMPURRÃO O consultor empresarial Fávero fez check-up por insistência da filha Andressa

Um dos desafios do programa é convencê- los da necessidade de fazer exames preventivos. Tome-se como exemplo o diretor de arte paulista Hernane Mesquita, 47 anos. Como não sente nada, não vê necessidade disso: “Cuido da minha alimentação e faço atividades físicas. Me sinto bem e não vejo por que ir ao médico”. Após os 40 anos, porém, todo homem deve fazer um check- up para avaliar a saúde cardíaca e urológica. Aqueles em cujas famílias há casos dessas doenças devem começar ainda antes. É também a partir dos 40 que os médicos consideram importante a realização do teste de dosagem do Antígeno Prostático Específico (PSA). Ele mede os níveis dessa proteína no sangue. Se estiver alterado, pode indicar a presença de tumor de próstata. “Se isso for detectado cedo, a chance de cura é de mais de 90%”, diz o urologista Antônio Corrêa, do setor de urologia do Hospital do Coração, em São Paulo.

SEM PRESSA O diretor de arte Mesquita (abaixo) não vai ao consultório porque não acha necessário
KARIME XAVIER/AG. ISTOÉ

Grande parte dos homens vai ao médico obrigada pelas esposas ou filhos. E é também com essa ajuda que o Ministério da Saúde espera contar. “A mulher é a maior cuidadora da saúde do homem. É ela que o leva ao consultório, compra e oferece remédios. Para que nosso programa seja efetivo, precisamos de seu auxílio”, diz Cavalcanti. Foi por insistência da filha Andressa, 19 anos, que o consultor empresarial Ronaldo de Fávero, 41, resolveu ir a uma consulta dias depois de ter completado 40 anos: “Ela me convenceu de que era importante. Foi um empurrãozinho necessário.”

Na opinião de especialistas, boa dose dessa atitude masculina em relação à própria saúde pode ser explicada pela dificuldade natural de revelar suas fragilidades corporais. “É um problema cultural. Eles agem de modo contrário ao da mulher, que busca soluções mais cedo e não tem medo de se expor”, diz José Carlos de Almeida, presidente da Sociedade Brasileira de Urologia. Almeida acredita que não se pode atribuir toda a culpa aos homens: “Há falta de urologistas no serviço público.”


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3/7/2008


 
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