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Cultura  
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ARTES VISUAIS
Artista = skatista
Exposição explora as relações entre skate, performance, pintura, fotografia, vídeo, design e arquitetura

Por PAULA ALZUGARAY


Crítica
 
Sombra e luminosidade
por FERNANDA ALBUQUERQUE
IBERÊ CAMARGO - MODERNO NO LIMITE
Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre/ até 31/8

Sempre que visitamos uma exposição, percebemos as obras em relação com o espaço onde estão inseridas. Em Iberê Camargo - moderno no limite, mostra que inaugura a nova sede da Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre, essa condição se vê potencializada. Em primeiro lugar, porque o prédio projetado pelo português Álvaro Siza é tão autoral em suas soluções quanto as pinturas, desenhos e gravuras que abriga. A presença imponente do átrio central, o branco que domina o espaço e as linhas sinuosas contrastando com os ângulos retos fazem do local não apenas um receptáculo, mas um componente ativo da exposição. Em segundo, porque é a primeira vez que entramos em contato com o museu, o que faz com que a pouca familiaridade com suas formas as tornem ainda mais destacadas. E, em terceiro, porque o contraste das obras com o espaço reforça o partido que a curadoria de Mônica Zielinsky, Sônia Salzstein e Paulo Sérgio Duarte toma: o de evidenciar o drama e o sentido trágico da produção de Iberê Camargo.

Em meio à luminosidade da arquitetura, a atmosfera densa e sombria dos trabalhos se vê destacada. O desencanto com a condição humana e a profunda consciência da gravidade do viver, aspectos centrais na constituição da obra de Iberê, são trazidos à tona por um recorte, sobretudo de pinturas, que privilegia os tons rebaixados da paleta do artista, a densidade e o caráter revolto da matéria pictórica, bem como a ambiência de inquietude, solidão e abandono característica de suas criações - traços que se contrapõem à claridade do espaço e à precisão e afirmatividade de seu desenho. Organizada de modo não cronológico, a exposição oferece uma amostra vigorosa do universo poético do artista, fazendo conviver, lado a lado, o adensamento e dilaceramento de umas de suas formas mais caras, os carretéis, e a tragicidade dos personagens que habitam suas telas a partir dos anos 1980: os ciclistas e as idiotas.

Fernanda Albuquerque é jornalista, curadora e crítica de arte

Ciclista, de Iberê Camargo


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3/7/2008


 
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