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DESPERTAR Obra de Niclas Lafrensen retrata a intimidade dos nobres franceses transportada para a literatura |
Trabalhar em clássicos dessa estatura significa enfrentar grandes riscos, já que são obras celebradas em todo o mundo. Mas é também dar a si próprio uma grande glória: a de apresentar em linguagem mais acessível a quem não é afeito à leitura alguns textos de grande envergadura. "A minha escrita é mais fácil de ser percebida por um leitor de hoje, principalmente quando se fala em Sade, que é difícil de ler. Pouquíssimos o encararam", diz Braga. O escritor, familiarizado a narrativas do gênero (é autor do romance O que contei a Zveiter sobre sexo), acha que correu um risco maior ainda com Casanova, porque criou outra narrativa para um fato de sua vida real: "Ele é como a Bíblia. É uma figura que se tornou um mito, já passou da categoria personagem." Casanova adorava os prazeres da mesa e do sexo. Não existem retratos dele produzidos durante sua vida, mas as imagens que surgiram nos anos posteriores, baseadas em relatos, o mostram como um homem elegante e de boa estampa. Ele foi amante de centenas de mulheres e pertencia à escola dos libertinos que produziu outros tipos como o marquês de Valmont, por exemplo, mostrado no romance Ligações perigosas, de Chordelos de Laclos. Segundo Braga, Petrônio é o mais interessante escritor erótico entre todos que adaptou:
"Os autores eram todos muito ligados aos poderosos e tinham uma noção falsa de elite. Arrostavam moralidade no senado e, à noite, iam ao encontro de prostitutos nas casas de banho. Petrônio escreveu um romance realista, coisa que não existia na época, e em prosa, numa tradição de literatura lírica".
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