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RECEIO Ângela faz ressalvas à distribuição de camisinhas. O filho dela, Leonardo, aprova |
Alguns se sentem divididos entre a tranqüilidade e a aflição com o novo projeto. É a angústia que sente a mãe de Leonardo, a comerciante Ângela Del Paggio, 47 anos. "Sou a favor do projeto, pois é um caminho para evitar gravidez e doenças, mas, ao mesmo tempo, tenho receio. Para meu menino mais novo, de dez anos, acho cedo demais saber que isso existe na escola. Mesmo que ele não tenha permissão para retirar a camisinha, vejo como um estímulo à iniciação sexual precoce", afirma a comerciante.
A psiquiatra Ivete Gattás, da Unidade de Psiquiatria da Infância e da Adolescência da Universidade Federal de São Paulo, entende o sentimento de Ângela. Apenas disponibilizar o preservativo não educa. "A novidade deve vir acompanhada de uma orientação, que mostre limites e riscos." Ivete ressalta que há avanços na educação sexual, mas ela continua falha. "Ainda se mostra pouco ao jovem como ele pode buscar o prazer e conhecer seu próprio corpo."
Com o apoio do Programa Municipal de DST/Aids, quatro escolas de Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo, distribuem camisinhas desde 2004. Elas se tornaram um bom exemplo em orientação sexual. "Damos o preservativo, mas pais e alunos participam todos os meses de palestras de médicos e especialistas sobre sexualidade", explica a coordenadora do programa, Lucille Soares. O resultado é positivo: o número de casos de gravidez indesejada caiu mais de 50%.
A máquina de distribuição de camisinhas foi desenvolvida por alunos do Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet), de Santa Catarina. O projeto, escolhido no ano passado num concurso, lembra um caixa eletrônico e tem capacidade para 600 preservativos, explica Najara dos Anjos, um dos membros da equipe. "As cores claras e o design jovial é para que os adolescentes se identifiquem", diz Najara. O equipamento de tecnologia nacional será fabricado por cerca de R$ 400.
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