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Camisinha para todos
Máquinas de preservativos nas escolas expõem a delicada relação entre sexo e adolescência

SUZANE FRUTUOSO

ELZA FIÚZA/ABR
INOVAÇÃO Membro da equipe que desenvolveu a máquina, Najara demonstra as funções do equipamento

A realidade do sexo precoce levou o Ministério da Saúde a criar um projeto que colocará máquinas de distribuição gratuita de preservativos nas escolas públicas a partir de 2009. Tal iniciativa despertou a atenção da sociedade para a delicada relação entre adolescentes e sexualidade. Pais e educadores se perguntam até que ponto a garotada - com hormônios em ebulição - está preparada para tamanha liberdade e se a facilidade em obter o preservativo estimularia ainda mais uma iniciação sexual prematura. Na década de 1980, 13% das meninas e 35% dos meninos perdiam a virgindade antes dos 15 anos. No começo dos anos 2000, os números saltaram para 32% e 47%, respectivamente.

O anúncio da instalação dos equipamentos foi feito pelo ministro José Gomes Temporão durante o 7o Congresso Brasileiro de Prevenção a DST/Aids, em Florianópolis. Com a máquina, os estudantes ganharão autonomia na retirada das camisinhas, diferentemente do que acontece hoje em 10% das instituições públicas que já distribuem nove preservativos por mês a cada aluno sob o controle de um coordenador, dentro do projeto piloto Saúde e Prevenção nas Escolas. Um estudo do Ministério com 102 mil alunos, de idades entre 13 e 24 anos, revelou que 47% deles já têm vida sexual e 9,7% não têm dinheiro para comprar camisinha. O que se questiona é se a ausência de preservativo contém a libido de alguém.

"Quem tem vontade faz. Não há falta de camisinha que impeça", diz o psicólogo Ari Rehfeld, professor de psicologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUCSP). "É melhor que a proteção esteja disponível", diz o especialista. "Nas escolas e em casa. Os pais deveriam colocar o preservativo para os filhos na lista de supermercado." Rehfeld afirma que, do ponto de vista emocional, o acesso torna a descoberta da sexualidade um processo mais natural e saudável.

Um dos mitos que se criaram sobre as máquinas é que elas seriam motivo de constrangimento. Há o medo de que as meninas sejam consideradas "fáceis" e que os garotos tímidos virem alvo de piadas do tipo "você não sai com ninguém, não precisa de camisinha". Bobagem, diz Rehfeld. "Eles já compram em locais públicos." O estudante Leonardo Del Paggio, 16 anos, confirma a teoria do psicólogo. "Nem eu nem meus amigos temos vergonha de comprar. Tem em qualquer vendinha e não acho caro. Mas se tivesse de graça na escola todo mundo pegaria, com certeza", diz Leo, que estuda em um colégio particular de um bairro nobre de São Paulo.

O que parece natural para os adolescentes, não convence totalmente os pais.


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3/7/2008


 
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