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Editorial  
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A eleição da "ficha suja"
CARLOS JOSÉ MARQUES

SHUTTERSTOCK

O presidente Lula, alinhado com o grande clamor dos eleitores, decidiu enfrentar uma das mais polêmicas decisões do TSE. Lula quer barrar a possibilidade de candidatura dos políticos com “ficha suja”, seja qual for o partido. Pede uma imediata mudança na legislação eleitoral para evitar que quem seja alvo de processos de corrupção esteja apto a buscar o voto nas urnas. Parece óbvio, mas o fato é que o Tribunal Eleitoral liberou sim o registro de candidatos nessas condições e estuda apenas a divulgação de sua ficha para conhecimento do eleitorado. Como poucos têm acesso a informação, o risco de processados pelos mais variados crimes voltarem a ter mandato é altíssimo. Confrontando governadores, prefeitos e parlamentares do Senado e da Câmara, em evento na semana passada, Lula fez uma convocação: “Nós políticos vamos ter que ter a coragem de pensar numa reforma política. É preciso ter coragem de fazer uma lei que, em primeiro lugar, interesse ao povo brasileiro.” Falou abertamente contra a eleição de processados. O debate que envolve essa que é a mais polêmica questão para as eleições que se avizinham teve início porque, aos olhos da atual lei, só é inelegível quem foi condenado em última instância. Um contra- senso legal: hoje um governador, com mandato de quatro anos, pode ser cassado por corrupção e logo depois ser eleito, por exemplo, como senador com direito a mandato de oito anos. Na esfera das procuradorias eleitorais, vários Estados já cogitam caminhos alternativos que driblam em parte a orientação do TSE: os procuradores regionais vão tentar impugnar os registros de candidatura daqueles com processos criminais comuns e de improbidade administrativa. Essa guerra, que envolve o legal e o moral, deve seguir indefinida até o momento das urnas. Caberá mais uma vez ao eleitor tomar todos os cuidados e se cercar do máximo de informação para não colocar de volta na cena política os tradicionais “fichas sujas”, que usam de artimanhas e do oportunismo para não prestarem contas pelo que fizeram.

CARLOS JOSÉ MARQUES,
DIRETOR EDITORIAL


26/6/2008


 
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