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A campanha do telhado de vidro
Os problemas do trânsito inauguram a disputa eleitoral em São Paulo e os quatro principais candidatos têm de explicar por que pouco fizeram quando passaram pelo governo

MÁRIO SIMAS FILHO

O maior deles foi registrado em maio, com 266 quilômetros de vias paradas. "Não sou culpado. Os engarrafamentos são produto das más gestões que me antecederam", diz o prefeito, que há dois anos assumiu a cadeira de José Serra. "Se cada um dos últimos sete prefeitos tivesse, como eu, investido R$ 1 bilhão no metrô, hoje a cidade não estaria assim", diz. Nos seus 8,5 minutos diários de propaganda eleitoral, Kassab, que segundo a última pesquisa Ibope soma 13% das intenções de voto, vai desafiar seus oponentes a manter o nível de investimento em metrô e defenderá novos corredores para ônibus como os 7,5 quilômetros do Fura-Fila que inaugurou recentemente. E, para tentar amenizar o impacto dos congestionamentos na disputa eleitoral, colocará em vigor nos próximos dias uma restrição ao tráfego de caminhões e ônibus em algumas regiões da cidade, o que deverá reduzir o trânsito em até 30%. "Essa medida é eleitoreira. Por que não fez isso antes?, pergunta o também candidato Paulo Maluf (PP). "Ele (Kassab) está há dois anos discutindo pedágio urbano, ampliação do rodízio de carros e rodízio de caminhão. Mas só fica na conversa", completa Maluf.

FOTOS: CLAUDIO GATTI/ISTOÉ
MALUF A imagem de tocador de obras se mistura aos casos de superfaturamento e corrupção

Durante a campanha, Maluf, que governou a capital entre 1969 e 1971 (nomeado) e entre 1993 e 1996, levará ao eleitor um desfile com as mais de 200 obras viárias que inaugurou na cidade de São Paulo. "Depois de Maluf nenhuma grande obra foi feita e por isso a cidade está parada", afirma. "Vamos colocar lajes sobre os rios Pinheiros e Tietê e assim duplicar o número de pistas nas marginais, foco central dos congestionamentos", promete o candidato, que, de acordo com o Ibope, larga com 8% das intenções de voto. Como gestor, no entanto, Maluf será cobrado pelo passado. Cada quilômetro do túnel Ayrton Senna, por exemplo, um de seus cartões-postais eleitoraisl, custou mais do que o quilômetro do Eurotúnel, que liga a Inglaterra à França sob o canal da Mancha. Investigações do Ministério Público (MP) indicam que dessa obra cerca de US$ 450 milhões teriam sido desviados para contas em paraísos fiscais. Outra obra de Maluf, a avenida Roberto Marinho, segundo o MP, teria sido superfaturada em cerca de US$ 200 milhões.

O ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), com 25% dos votos, segundo o último levantamento do Ibope, também apresentará obras viárias como credenciais. "Vamos defender corredores de ônibus eficientes, mas o principal está em projetos maiores, como o rodoanel e o metrô, que não podem mais ser adiados", afirma. Nos seus seis minutos diários de propaganda eleitoral, o tucano vai exibir a inauguração do primeiro trecho do rodoanel, a segunda pista da rodovia dos Imigrantes (feitas em parceria com a iniciativa privada e detentora do pedágio mais caro do País), novas estações para os trens na periferia e a linha 4 do metrô, também feita em parceria com a iniciativa privada. Mas, olhando para trás, os números não são favoráveis a Alckmin. No governo do Estado desde 1995, os tucanos fizeram em média 1,4 quilômetro de metrô por ano. O peemedebista Orestes Quércia, que governou o Estado entre 1987 e 1991, fez 6,5 quilômetros por ano. Não apenas pelo baixo volume das obras, Alckmin também será confrontado com o fato de que a construção da linha 4 do metrô foi o cenário de um acidente, em janeiro do ano passado, que matou sete pessoas e deixou outras 230 desalojadas. Segundo investigação feita pelo IPT, o desmoronamento da futura estação Pinheiros foi provocado por deficiências na execução do projeto e por falha de fiscalização do metrô.

ALCKMIN Ex-governador terá que explicar por que o PSDB fez tão pouco pelo metrô em 13 anos

A grande novidade da eleição paulistana é justamente ter seus quatro principais candidatos já testados sob o ponto de vista administrativo. Amarrados ao que já fizeram pela cidade, eles não podem mais vender falsas promessas. Se esse choque de realismo obrigar os candidatos a manter o pé no chão, ele pode ser um bom serviço para o eleitor. Afinal, depois do voto, os problemas continuarão sendo os mesmos. É melhor saber o que eles têm de propostas que sejam soluções factíveis do que reviravoltas mágicas.

Colaboraram : Alan Rodrigues e Cláudio Camargo

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26/6/2008


 
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