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| MARTA A petista defenderá os corredores de ônibus que complicaram o trânsito e os túneis caros e malfeitos |
Mais do que promessas de campanha, este ano a disputa pela Prefeitura de São Paulo trará aos eleitores um ingrediente a mais para decidir o voto. Os quatro principais candidatos possuem experiência administrativa e seus discursos serão confrontados com as próprias ações. Não haverá espaço para que nenhum deles se apresente como vendedor de futuro sem ter que explicar o passado e o debate se dará em torno dos sucessos e fracassos sobre o que já realizaram. "Será um jogo fortíssimo, uma guerra com vários telhados de vidro", afirma Maria do Socorro Braga, cientista política da Universidade de São Paulo.
Os candidatos são conhecidos e estão diante de velhos problemas. A cidade de 10,8 milhões de habitantes e seis milhões de veículos está parando. Como enfrentar os congestionamentos será o tema principal da campanha, segundo os próprios concorrentes. Os engarrafamentos atingem a todos, independentemente da renda, da região onde mora ou do nível de escolaridade e, segundo dados do governo estadual, geram um prejuízo anual de R$ 33,5 bilhões. "Fizemos 100 quilômetros de corredores de ônibus e deixamos outros 200 planejados. Se tivessem dado continuidade ao trabalho, o trânsito estaria bem melhor", diz Marta Suplicy (PT), que governou a capital entre 2001 e 2004 e agora busca um novo mandato. A afirmação da ex-ministra do Turismo ilustra bem o tom que pretende empregar nos sete minutos a que terá direito no horário eleitoral de rádio e tevê. Líder nas pesquisas eleitorais com 31% das intenções de voto, segundo levantamento feito pelo Ibope na última semana, além dos corredores exclusivos para ônibus, Marta defenderá a modernização da Companhia de Engenharia de Tráfego e maior oferta de bilhete único e metrô. "Quando administrei tinha um orçamento de R$ 9 bilhões. Eles (seus sucessores, José Serra, do PSDB, e o atual prefeito, Gilberto Kassab, do DEM), têm R$ 21 bilhões, mas não melhoraram o trânsito", ataca a petista. "Transporte foi o maior acerto de minha gestão na prefeitura".
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KASSAB O prefeito aposta na restrição do tráfego de caminhões e cobra dos rivais investimentos no metrô |
Se é verdade que alguns corredores feitos durante a gestão de Marta melhoraram a velocidade média dos ônibus, também é certo que eles contribuíram para aumentar os congestionamentos nas avenidas mais movimentadas da capital. Em busca da reeleição, Marta inaugurou às pressas dois túneis que não resolveram o trânsito local e pagou por eles muito mais do que o licitado. O túnel Fernando Vieira de Mello foi orçado em R$ 65 milhões e, com inúmeros contratos aditivos, custou R$ 135 milhões. Logo depois de inaugurado, transformou a avenida Rebouças em um piscinão por falhas no processo construtivo. O túnel Max Feffer deveria custar R$ 83,4 milhões. Saiu por R$ 250 milhões. Ambos deveriam ser construídos em 15 meses, mas para atender ao calendário eleitoral foram concluídos em nove meses. Segundo o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), as obras apresentam várias deformações técnicas.
O resultado da soma das obras mal planejadas com o fato de as ruas de São Paulo receberem 1,5 mil carros novos por dia acaba recaindo sobre os ombros do atual prefeito, Gilberto Kassab (DEM), candidato à reeleição, que assiste sob sua gestão a recordes seguidos de congestionamentos.
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