Este ano, Altamir José da Igreja, 53 anos, fez duas vezes a quadra e uma vez o terno na Mega-Sena. Recentemente, Flávio Júnior Biassi, 22 anos, pediu a um tio para efetuar uma aposta na mesma loteria. Os seis números passados por ele foram sorteados, mas seu parente não efetuou o jogo. Seguir perseguindo a sorte grande é uma das manias de Altamir e Flávio, que, desde setembro do ano passado, reclamam na Justiça de Joaçaba (SC) R$ 27.782.053,83, referentes à metade da premiação do concurso 898 da Mega- Sena - o outro ganhador é de Rondônia.
Altamir, que era dono de uma serraria na época, efetuou a aposta, mas Flávio, seu ex-funcionário, reclama que os números e o dinheiro do jogo foram dados por ele (leia quadro). Por conta do imbróglio, uma recente decisão da Justiça de Joaçaba determinou que os dois dividissem a bolada. Mas tanto Altamir quanto Flávio não aceitam receber R$ 13.891.026,91 e vão recorrer da decisão. "Como ele foi sacana, quero tudo e vou deixar que a Justiça decida", disse Flávio à ISTOÉ. "Eu não prometi rachar nada. Não devo nada, então, não pago", retruca Altamir.
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BOLADA R$ 2,2 milhões foram sacados por Igreja, que plantou 100 mil eucaliptos |
Ainda pobre e na expectativa de ficar rico, Flávio deixou sua casa de madeira em Herval D'Oeste, na divisa com Joaçaba, para fugir de pessoas que se apresentavam como parentes e de outras que se diziam amigas de seu expatrão e poderiam resolver a pendência entre os dois. Ele, o pai e dois irmãos menores moram e trabalham em uma fazenda na região de Catanduvas (SC). Ali, Flávio faz bicos no corte de madeira e outros serviços braçais. Também pesca em açude e planta para o próprio sustento. "Com o dinheiro do prêmio, vou comprar uma chácara. Quero ter nela quatro aviários de 100 metros. A cada 40 dias, cada um rende R$ 20 mil", sonha o jovem. Antes de ir para Catanduvas, Flávio, que não completou o ensino médio, passou dois meses em Irani (SC), trabalhando como pedreiro, e outros três em Caxias do Sul (RS), na colheita de uva.
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