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Adeus, dona Ruth
A antropóloga e ex-primeira-dama que criou o Comunidade Solidária morre de infarto

Por ANTONIO CARLOS PRADO Colaboraram: Alan Rodrigues, Joice Tavares e Rudolfo Lago

JORGE ARAÚJO/FOLHA IMAGEM/ SAMIR BAPTISTA/AG. ISTO
VELÓRIO Políticos de todos os matizes ideológicos choraram por dona Ruth. No sepultamento, a dor dos familiares

Foi com essa discrição de personalidade que dona Ruth criou e incrementou, nas duas gestões de seu marido (1995 a 2002), o Programa Comunidade Solidária e seus desdobramentos: o Alfabetização Solidária, que alfabetizou cerca de 2,5 milhões de jovens; o Universidade Solidária, que reuniu alunos e professores em ações sociais; e o Capacitação Solidária, que habilitou mais de 100 mil pessoas para o mercado de trabalho. Essa foi um pouco de sua práxis. A teoria que a embasava, essa vinha da vasta produção acadêmica: foi precursora no estudo da desigualdade, da imigração japonesa e da participação política da mulher, fundou o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento, exerceu a docência na USP, na Maison des Sciences de L’Homme (Paris), na Universidade de Berkeley (Califórnia), na Universidade de Colúmbia (Nova York) e na Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (no Chile, onde viveu com FHC, proibidos de continuarem na USP pelo obscurantismo da ditadura militar). A teoria e a prática construíram a primeira- dama e construíram, também, “uma das mais prestigiadas antropólogas do mundo”, conforme elogiaram-na os jornais chineses. Segundo o jornal londrino Herald Tribune, ela “reuniu governo e grupos privados no combate à pobreza num Brasil marcado por grandes desigualdades”. Dona Ruth sofreu morte súbita em seu apartamento na terça- feira 24 (a possibilidade de sobrevivência exige um desfibrilador). Dias antes submetera-se a um cateterismo e no passado sofrera de angina. Surgiu a discussão se deveria ou não ter sido desinternada, mas o fato é que anualmente cerca de 160 mil brasileiros têm morte súbita. Ela foi sepultada em São Paulo na quinta-feira 26 no cemitério da Consolação (no dia 26 de junho de 2007, portanto exatamente há um ano, FHC comprou esse túmulo) e lá viram-se admiradores anônimos, intelectuais e políticos de todos os matizes ideológicos. “Dona Ruth foi uma soberana. Soberana em seu jeito de encarar a vida”, assim despediu-se a amiga e atriz Consuelo de Castro.

ARQUIVO FOLHA/ GILBERTO ALVES/ ALAN RODRIGUES/AG.
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26/6/2008


 
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