As investigações apontam o envolvimento de 20 construtoras no esquema de desvios, entre elas a Global Engenharia, a Etenge e a Construtora Ponto Alto. Com a ajuda de cinco deputados, as construtoras desviaram dinheiro dos Ministérios das Cidades, do Turismo, e da Integração Nacional, repassado pela Caixa e pelo BNDES. O esquema teve origem em Governador Valadares (MG). Lá, o deputado federal João Magalhães (PMDB) é apontado como o verdadeiro dono da Construtora Ponto Alto, registrada em nome da cozinheira Josélia Ferreira dos Santos, 53 anos. Ela contou ao MP que foi procurada para assinar papéis para a criação de uma empresa que seria do deputado Magalhães e só depois descobriu que seu nome estava "bagunçado" na Receita. Foi aí que nasceu a Ponto Alto, com sede em Belo Horizonte. O STF analisa pedido de quebra de sigilo do deputado Magalhães. Outro acusado é o deputado federal Ademir Camilo (PDT), suspeito de passar todas as suas emendas parlamentares para os lobistas. Um dos presos é João Carlos de Carvalho, de Governador Valadares, que administraria as emendas de Camilo. Carvalho seria dono de várias casas em condomínios fechados da Bahia. De acordo com o MP, ele ajudou a ampliar o esquema em Minas Gerais. Outras construtoras que fraudaram o PAC destinavam o dinheiro para a construtora do deputado João Magalhães, segundo os investigadores, a exemplo da empresa Chaves & Rangel. O procurador de Governador Valadares, Zilmar Drumond, já impetrou 27 ações contra a quadrilha das construtoras.
Na segunda fase da investigação, a PF vai cruzar a documentação apreendida em 231 buscas. O esquema tinha ramificações em várias áreas do governo, inclusive no Tesouro Nacional, onde teria facilidades para negociar avaliações sobre capacidade de endividamento. Otávio Augusto Gonçalves Jardim, funcionário de carreira do Tesouro, foi exonerado. Mas é no Ministério das Cidades que uma devassa da CGU vai checar todos os repasses para prefeituras e Estados. Nos últimos 12 meses, o nome do Ministério apareceu nas investigações das operações Navalha, Santa Tereza e João-de-Barro. Márcio Fortes, que se diz um "ministro técnico", não tem autonomia para escolher vários de seus próprios subordinados. "Muitas vezes eu tenho que me submeter a indicações políticas", diz o ministro das Cidades. Prova disso é a recente contratação da ex-prefeita de Boa Vista Tereza Jucá para a Secretaria de Programas Urbanos. Não passou pelas mãos do ministro o levantamento da Abin sobre a vida pregressa de Tereza, que é alvo da PF em 14 inquéritos. A ficha foi enviada diretamente a Dilma Rousseff, que aprovou a nomeação. Quem indicou Tereza Jucá? Seu ex-marido, o líder do governo no Senado, Romero Jucá, do PMDB.
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