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| SOLIDÃO Simon faz vigília pela liberação de R$ 1,1 bilhão para o Rio Grande do Sul |
Aos 78 anos, o senador Pedro Simon (PMDB-RS) é um político em extinção. Um dos últimos "autênticos" do PMDB, partido que ajudou a fundar, Simon, nos últimos dez anos, já fez voto de pobreza, distribuiu bens entre amigos e familiares e percorreu durante seis dias os 136 quilômetros entre Fortaleza e Canindé, no sertão cearense, numa peregrinação ao lado de 500 andarilhos devotos de São Francisco, como ele. Não bastassem esses atos de desapego aos bens terrenos, o senador gaúcho recusou convite para integrar o primeiro escalão do governo Luiz Inácio Lula da Silva, atitude considerada inimaginável para a maioria dos parlamentares, cada dia mais sôfregos por cargos, verbas e pelas benesses e mordomias do poder. Conhecido no Senado pela retórica inflamada e pelos gestos teatrais, o tribuno Simon não costuma poupar ninguém em seus discursos em defesa da ética. Muitas vezes, porém, o senador investe contra moinhos de vento e essa postura quixotesca tem contribuído para o seu isolamento na Casa, o que se agravou com a morte, em maio, do amigo e colega Jefferson Péres (PDT-AM), outro inveterado idealista.
Se alguém derrapa na administração pública, lá está Pedro Simon, uma espécie de guardião da moral na política nacional, para cobrar e zelar pela boa conduta. Em 1998, sua língua ferina derrubou o então ministro das Comunicações, Mendonça de Barros, durante a sessão em que era ouvido sobre o escândalo do grampo no BNDES. Em 1999, foi a vez de o então ministro do Desenvolvimento, Clóvis Carvalho, sentir na pele a ira do gaúcho de Caxias do Sul. "O ministro Clóvis Carvalho foi irresponsável", vociferou Simon na ocasião, depois de Carvalho atacar Pedro Malan, então titular da Fazenda, publicamente. Na última semana, Simon fez uma vigília de seis horas no plenário do Senado em favor da liberação de um empréstimo de US$ 1,1 bilhão do governo federal para o Estado do Rio Grande do Sul. Foi acompanhado por um único senador - o piauiense Heráclito Fortes (DEM) - que contribuiu para que a sessão não caísse e, com isso, o empréstimo fosse viabilizado.
Decepcionado com a classe política e, sobretudo, com o PMDB, Simon fez uma confissão à ISTOÉ. Só não deixou o PMDB até hoje porque não tem para onde ir. "A minha primeira grande decepção com a política foi a chegada do PMDB ao poder em 1985, após a morte de Tancredo Neves. Foi ótimo até chegarmos lá", disse. "Desde então, o PMDB é um partido de mentirinha. Mas, sem opção, prefiro ficar na minha casa, onde sempre estive", admitiu. O senador atribui o desencanto e a desesperança à falta de renovação dos quadros partidários e de homens ilustres. "Já não temos grandes nomes como dr. Ulysses (Guimarães), Barbosa Lima Sobrinho, Aloísio Lorscheider e Ivo Lorscheiter, e Teotônio Vilela", lamentou.
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