Formada em sociologia pela Universidade de Princeton e em direito por Harvard, ela trabalhava num prestigiado escritório de advocacia, o Sidley Austin, quando seu pai morreu de esclerose múltipla. "Olhei então para minha vizinhança e tive a certeza de que deveria usar minhas habilidades a favor do lugar que me tornou o que sou", relembrou Michelle recentemente ao The New York Times. "Eu queria uma carreira motivada pela paixão e não apenas pelo dinheiro."
 |
Alcançou os dois objetivos. Primeira negra com condições reais de se tornar primeira-dama dos Estados Unidos, Michelle já fez a diferença. Mesmo porque, na campanha de Barack, ela é quem simboliza a presença e os anseios dos negros americanos. Financeiramente, Michelle também é um sucesso. Para se dedicar à campanha do marido, afastouse do cargo de executiva de um hospital de Chicago, onde recebia US$ 200 mil por ano. Continua a morar nas proximidades da casa de sua infância. Só que agora ocupa, com o marido e as duas filhas do casal, uma propriedade de três andares, que vale US$ 1,7 milhões.
Michelle conheceu Obama em 1989, quando foi encarregada de orientar o advogado que entrara para o escritório de advocacia onde trabalhava. Demorou, mas não resistiu aos encantos do colega, com quem se casou três anos depois. "Ela é mais esperta, ela é mais consistente e, com certeza, mais atraente do que eu", costuma repetir Obama. Com 1m80 de altura e excelente oratória, Michelle também é uma mulher de presença marcante, que interfere nos rumos da campanha do marido. Sem papas na língua, chegou a comentar que ele roncava, tinha mau hálito e deixava meias sujas espalhadas pela casa. Se ajudou a "humanizar" a imagem de Obama, a inconfidência sinalizou para os artífices da campanha democrata a necessidade de frear a impulsiva Michelle.
A operação de bastidores para conter o excesso de espontaneidade de Michelle estava começando quando comentários seus provocaram reação até em Cindy, famosa pela distância que mantém de polêmicas. Satisfeita com o crescente apoio dos eleitores ao seu marido, ela afirmou que "pela primeira vez em sua vida adulta estava realmente orgulhosa" de seu país. "Não apenas porque Barack está indo bem, mas pelas pessoas estarem sedentas por mudança", completou. Foi o bastante para ser acusada de impatriota. "Eu tenho, e sempre vou ter, orgulho do meu país", retrucou Cindy, que, sem fazer alarde, apóia com doações os esforços americanos de guerra. Dois estilos tão distintos quanto as propostas de seus maridos para a Casa Branca.
PÁGINAS :: << Anterior | 1 | 2