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Minc e o lixão de paciência
Ministério Público questiona licença ambiental para construir um aterro sanitário em área de preservação. A autorização foi dada quando o ministro ocupava a Secretaria do Ambiente do Rio de Janeiro

MINO PEDROSA

O geógrafo Carlos Minc Baumfeld assumiu o Ministério do Meio Ambiente com uma missão muito bem definida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva: para que o País realize as necessárias obras de infra-estrutura, é preciso acelerar os processos de concessões de licenças ambientais, sem, contudo, prejudicar a preservação ecológica. A principal credencial de Minc para essa missão é a sua atuação à frente da Secretaria de Estado do Ambiente do Rio de Janeiro, entre 2006 e maio último, quando mudou-se para Brasília. No governo estadual, Minc construiu a imagem de alguém capaz de agir com independência e dar celeridade à burocracia sem criar conflitos com os movimentos ambientalistas, dos quais ele é originário. Mas um processo conduzido pela Procuradoria da República e pelo Ministério Público do Rio de Janeiro questiona pelo menos uma das concessões ambientais liberadas pela Secretaria do Ambiente do Rio. Trata-se da permissão para a construção de um aterro sanitário, localizado no bairro de Paciência, próximo ao aeroporto de Jacarepaguá e a menos de dez quilômetros da Base Aérea de Santa Cruz, numa área de preservação ambiental e de segurança aeroportuária.

O projeto teve início em 2003, com o apoio do deputado Rodrigo Maia (DEMRJ). Para a construção do aterro o prefeito do Rio, Cesar Maia - pai do deputado -, abriu licitação pública e, em maio daquele ano, através de um decreto, alterou o zoneamento da região. Mesmo assim, para que a obra fosse concretizada, era preciso a licença ambiental do governo estadual. Os técnicos do Estado, porém, não a concederam. Entenderam que um lixão naquela região não só colocaria em risco o meio ambiente como poderia prejudicar a segurança da navegação aérea. Mesmo assim, Cesar Maia deu sinal verde para o começo das obras e o aterro sanitário, conhecido como o "lixão de Paciência", virou alvo de uma enorme confusão jurídica, que levou a Prefeitura do Rio a cancelar a licitação, em maio do ano passado. Mas graças a um emaranhado de recursos judiciais e de laudos técnicos contraditórios, as obras continuaram, embora em ritmo menor.

Apesar de a Justiça ainda não haver se manifestado sobre os pareceres contraditórios emitidos tanto por técnicos da Fundação Estadual de Engenharia e Meio Ambiente (Feema) quanto do Ibama, em 27 de maio deste ano, dia em que Minc deixou o governo estadual, a Secretaria de Estado do Ambiente concedeu a licença ambiental. Com isso, o caso ganhou uma nova polêmica jurídica e provocou a reação tanto de entidades ambientalistas como do Ministério Público. A decisão da Secretaria serviu de argumento para que as obras prosseguissem com a Júlio Simões Transportes e Serviços Ltda., empresa que venceu a licitação em 2003 e que detém 12 dos 14 contratos da Companhia Municipal de Limpeza Urbana do Rio de Janeiro (Comlurb), no valor de R$ 671,7 milhões. O problema é que a licitação para a construção do aterro sanitário foi anulada pela prefeitura, depois de determinação nesse sentido feita por unanimidade em 31 de maio de 2006 pelo Tribunal de Contas do Rio de Janeiro. "Não me envolvo nas licitações da prefeitura e no caso do aterro sanitário fui procurado por alguém que perdeu a licitação, mas disse que não iria interferir", afirmou o deputado Rodrigo Maia à ISTOÉ na quinta-feira 19.


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25/6/2008


 
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