ISTOÉ - Como o sr. vê as acusações - primeiro o dossiê e agora a VarigLog - contra a ministra Dilma Rousseff?
Genro - Eu, sinceramente, vejo tudo isso com naturalidade. Eu estou há quase seis anos no governo e muitos acontecimentos semelhantes a esse ocorreram. E são acontecimentos que aqui no Brasil hoje capitalizam a atenção da política. Na minha opinião, há um grande rebaixamento da disputa política no País. Ela não se faz mais em cima de grandes vertentes, de visão de mundo. Com a chegada do presidente Lula ao poder, o debate político foi degradado pela oposição. Ele tem se dado unicamente em torno desses, entre aspas, escândalos. Então, eu vejo essa questão da ministra Dilma como mais um desses fatos. Eu conheço a Dilma há quase 30 anos. Tenho absoluta convicção de que ela jamais determinaria ou pressionaria alguém para cometer uma ilegalidade. Em primeiro lugar, porque é uma pessoa honrada. E, em segundo lugar, porque é muito inteligente. Nessa situação em que é a gerente do PAC e eventual candidata, estou certo de que ela jamais permitiria uma atitude que fosse ilegal.
ISTOÉ - Mas, quando houve a compra da Varig, ela ainda não era cogitada para suceder ao presidente.
Genro - O nome dela é sempre cogitado. Qualquer um que esteja na Casa Civil convive com essa possibilidade.
ISTOÉ - Quem está no Ministério da Justiça também.
Genro - Não. Eu acho que o Ministério da Justiça não é um Ministério muito bom para fazer alianças políticas. Em função das atividades desenvolvidas pela Polícia Federal. Não ajuda muito na conformação de uma candidatura.
ISTOÉ - Há certa resistência interna ao nome dela no PT ou não?
Genro - Não acho que exista restrição ao nome de Dilma. O que há é uma preocupação de líderes do partido de que a questão da candidatura à Presidência seja discutida internamente. De que o partido possa interferir nessa decisão. O PT tem de ser partícipe da decisão sobre a escolha do sucessor do presidente Lula.
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