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TARSO GENRO
''Chega de fachada''
Ministro da Justiça prepara lei para expulsar falsas ONGs estrangeiras da Amazônia e diz que a candidatura de Dilma deve passar pelo crivo do PT

Por RUDOLFO LAGO E OCTÁVIO COSTA

ISTOÉ - Como preparar a polícia para essa atividade e conseguir que ela fique protegida da atração e da violência do tráfico?
Genro - Além da instalação dos postos de policiamento, temos programas de treinamento dos policiais, com remuneração extra para aqueles que se dispuserem a entrar nos cursos de formação. O policial pode ter um aumento real de 30% a 40% do seu salário, se ele entrar no curso para melhorar seu desempenho. Nós estamos pagando para ele se qualificar.

ISTOÉ - Em quanto tempo se poderá sentir alguma mudança? Afinal, o Rio é candidato à Olimpíada em 2016 e a questão da segurança pode atrapalhar essa pretensão.
Genro - No ano que vem, creio que ainda não sentiríamos grandes mudanças. Depois, as coisas começariam a caminhar. Na verdade, a mudança não depende apenas da vontade do governo federal. Os Estados e os municípios, nas ações que a questão da segurança pública lhes confere, têm de se associar e aplicar os recursos que lhes são repassados. Já são 15 Estados, inclusive o Rio de Janeiro, integrados aos programas de qualificação da atividade policial.

ISTOÉ - O que o governo federal pode, de fato, fazer pela segurança?
Genro - Nós temos que distinguir dois tipos de delitos que são fundamentais para que se visualize o que é uma política de segurança pública. Há delitos que não são originários de falha no sistema de segurança pública. Por exemplo, o assassinato da menina Isabella.

DOMINGOS PEIXOTO
"Temos de quebrar o pacto entre a classe alta e a classe baixa, que usa o garotinho de 11 anos como 'aviãozinho' das drogas"

Não sei quem o cometeu, mas este é um delito cometido por pessoas desajustadas, do ponto de vista psicológico. Não se relaciona com a segurança pública. Os delitos que são incluídos na esfera da segurança pública são aqueles que geram uma condição de insegurança para o cidadão comum. Sobre esses, o Estado tem responsabilidade constitucional. Se você for examinar a estrutura de reprodução da criminalidade num país como o nosso, perceberá as conexões que demandam a ação do governo federal. Corrupção no Estado, tráfico de drogas, crime organizado, colarinho branco, lavagem de dinheiro, tudo isso está relacionado.

ISTOÉ - Que modelos e experiências estrangeiras chamam a sua atenção e o sr. busca reproduzir no caso da segurança pública?
Genro - A questão do policiamento de proximidade é uma experiência exitosa nos Estados Unidos e na Inglaterra. Aqui e nos Estados Unidos, a droga é consumida por uma grande parcela da classe média e classe média alta e também pela classe de baixa renda. Isto estabelece uma conexão, uma cumplicidade entre essas classes de consumidores. Nós temos de romper esse elo. Quebrar esse pacto entre a classe alta e a classe baixa, que instrumenta o garotinho de 11 anos para que ele vire, como se diz, "aviãozinho".

ISTOÉ - Como?
Genro - Tirando grande parte da juventude dessa conexão e levando para uma formação profissional. Aqui no Brasil seria a alfabetização, seriam os cursos profissionalizantes, até chegar ao auxílio para a entrada desses jovens na  universidade. Acompanhamos com atenção as experiências que vão nesse sentido. A Colômbia está fazendo experiências importantes. No nosso caso, nós estamos particularmente interessados num personagem dessas comunidades que é fundamental para dizer quem são os jovens que vivem ali e quais são os que mais correm o risco de ser instrumentalizados.

ISTOÉ - Quem são esses personagens?
Genro - São as mães da região. Um dos nossos projetos visa diretamente a elas. Chama-se Mães da Paz. Elas, nas favelas, convivem com a marginalidade, sabem quem são os marginais e dialogam com eles. Não queremos que essas mães exerçam uma atividade policial. Agora, elas vão ter condições de apontar os jovens que podem ser instrumentalizados. Apontar não para a polícia, apontar para a integração desse jovem aos programas sociais, de alfabetização ou de qualificação profissional. Temos vários projetos que são adequados para as realidades locais.

ISTOÉ - Como o sr. responde a críticas de que a PF continua atuando para constranger adversários do governo?
Genro - Eu respondo com dois argumentos. Primeiro, a Polícia Federal investiga gente de todas as regiões, de todas as religiões, de todas as etnias e de todos os partidos. A Polícia Federal não segrega. O segundo argumento é que a PF atua sempre ao lado do Ministério Público nessas ações. Então, dizer que se faz perseguição política, na verdade, é dizer que quem faz isso é o Ministério Público. Pode até acontecer de algum delegado ou promotor especificamente deixar que a sua ideologia se infiltre em alguma ação. Mas isso seria um caso específico, uma ultra-exceção. E, quando ocorre, geralmente a pessoa é denunciada e o inquérito se esvazia. Agora, outro aspecto é que quem reclama geralmente está pagando alguma conta.

ISTOÉ - Houve um momento em que a extradição do banqueiro Salvatore Cacciola parecia algo iminente. Mas o tempo passa, e ele continua em Mônaco. O que está acontecendo?
Genro - O processo já está pronto. Nosso pedido já foi atendido. Foi deferida a extradição. Agora, o advogado de Cacciola entrou com um recurso. Até hoje, nenhum recurso desse tipo foi acolhido. Se acontecer agora, será a exceção das exceções. Mas temos de aguardar. Se o recurso não for acolhido, como esperamos, a decisão final sobre a extradição caberá ao príncipe Albert, de Mônaco. O que nos cabia fazer foi feito, e foi bem-sucedido. O restante depende da soberania do Principado.

ISTOÉ - Sua expectativa é que isso ocorra em quanto tempo?
Genro - Pelas últimas informações que tivemos, em 20 ou 30 dias. A decisão. Ou seja, o processo, antes de ir para a mão do monarca.


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25/6/2008


 
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