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ECONOMIA
Choque de realidade
O preço do barril dispara a caminho dos US$ 200 e o mundo entra na terceira crise do petróleo, que gera inflação e conflitos, enquanto o Brasil vive uma situação favorável graças à descoberta de novos campos e à produção de biodiesel e etanol. Mas só um estilo de vida sustentável pode amenizar os efeitos dessa onda

THIERRY ROGE/REUTERS/LATINSTOCK

BAZUKI MUHAMMAD/REUTERS/LATINSTOCK

REAÇÃO EM CADEIA
Na Malásia (acima), fila antes do aumento. Panelaço na Índia, protesto nas Filipinas e carros virados na Bélgica: o mundo sofre com a crise

Por mais que os governos tentem sustentar o preço do petróleo e controlar a inflação decorrente desses seguidos aumentos, o certo é que a vida de cada pessoa está prestes a ser sacudida. Nada perturba mais as sociedades modernas do que o petróleo caro. Os pescadores europeus, por exemplo, estão vendo o lucro das suas horas no mar ser corroído pelo aumento no diesel. O óleo usado nas embarcações subiu mais de 30% e o preço do pescado não acompanha a disparada.

Na Argentina, Espanha e outros países, os caminhoneiros esvaziam os bolsos para encher os tanques, enquanto não conseguem negociar o reajuste dos fretes. Os seguidos prejuízos levam aos protestos e a situação ficou tensa nas estradas. Nos Estados Unidos, os grandes carros bebedores de gasolina, como os jipes 4 X 4 e os SUV estão à venda pela metade do preço (leia quadro à pág. 88). Na Alemanha, a nova realidade quebrou a resistência de montadoras como a BMW e a Mercedes, que cederam à pressão do governo e produzirão carros mais econômicos e menos poluentes a partir de 2012.

O pior ainda está por vir. O petróleo e seus derivados geram uma inflação mundial porque ele é o elemento mais presente no cotidiano das pessoas. Ele pode ser encontrado do café da manhã (no gás do fogão, na estrutura do microondas) até a hora de dormir (quando se apaga uma luz, o interruptor costuma ser de plástico). Transporte, refrigeração, aquecimento, produtos químicos para limpeza e higiene pessoal, nada existiria se não fossem o petróleo e seus derivados.

Como interfere em praticamente todos os produtos, a inflação do petróleo é também a mais perigosa. Para conter a disparada dos índices, os bancos centrais de todo o mundo começam agora a aumentar as taxas de juros. Na prática, isso significa que as prestações da casa própria vão comer uma fatia maior do orçamento familiar. A conta do supermercado ficará mais salgada. Em breve, passagens de ônibus, trens e aviões serão reajustadas, para acomodar o novo custo dos combustíveis.

Graças aos biocombustíveis e à quase auto-suficiência energética, o Brasil ainda se apresenta como uma ilha protegida do tsunami inflacionário, mas essa será uma ilusão passageira. A ata da última reunião do Conselho de Política Monetária informou que os combustíveis aqui não devem sofrer reajustes até o final do ano, mas depois disso é certo que o aumento do preço do petróleo chegará aos postos. E o presidente Lula reuniu o ministério na segunda-feira 9 para mostrar como o governo se preocupa com a inflação. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que “a alta da inflação é um fenômeno mundial, provocado pelo maior choque de preços de commodities desde os anos 70 do século passado”.


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13/6/2008


 
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