Após o depoimento da ex-diretora, a base de sustentação do governo no Congresso se mobilizou para evitar a convocação de Teixeira. O presidente da Comissão, senador Marconi Perillo (PSDBGO), avisou que não abre mão da presença do compadre de Lula esta semana no Senado. O líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), quer aprovar requerimento para pedir aos ministérios registros de visitas de Teixeira. "Tem material para CPI", diz Virgílio. Os senadores aguardam ansiosos o depoimento do empresário paulista Marco Antônio Audi, que entrou na sociedade com o Matlin, um fundo tido como "abutre", que compra empresas em dificuldades e as revende com lucros. Audi contou à ISTOÉ detalhes sobre o poder de seu advogado Teixeira, que segundo ele ligava para os ministros e em seguida os visitava, sem pré-agenda, e sempre entrava pela porta privativa. "O Teixeira usa da amizade, usa o nome do presidente e o da ministra Dilma para abrir portas", diz Audi. "Era o Teixeira quem marcava e dizia que era importante ir naquele ministro. Fomos ao Waldir Pires (ex-ministro da Defesa), ao Marinho (ex-ministro da Previdência). Eu não pedi audiência nem com o Lula nem com a Dilma. Estive com a ministra Dilma duas vezes e foi o Teixeira quem marcou."
Audi diz que no dia 15 de dezembro de 2006 ele ficou impressionado com o poder de Teixeira, semelhante "ao de um ministro". No dia 14, a nova Varig tinha recebido da Anac o cheta, autorização para voar. Na manhã seguinte, Audi recebeu um telefonema do advogado. "O Teixeira me avisou no próprio dia, de manhã, que ele marcou, naquele mesmo dia, um encontro com o Lula. Tive de alugar um avião às pressas para ir a Brasília." O empresário confirma pressões sobre funcionários da Anac: "O Teixeira falava o seguinte: 'Pode deixar que da Anac eu tomo conta'. Ele foi peça importante para que as autorizações saíssem. Como ele ameaçava, se ameaçava, não posso dizer." Em nota à imprensa, Teixeira rebate as acusações e afirma que Denise "tenta distorcer a cronologia e a verdade dos fatos de forma vergonhosa".
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O ex-sócio do Matlin
Os senadores agora querem ouvir o que Marco Antônio Audi tem a dizer |
A versão do empresário é coerente com o depoimento de Denise. "A pressão era exercida sobre a segurança operacional da Anac para agilizar documentação do escritório do Teixeira", contou Denise. A partir de 2006, segundo ela, os diretores da Anac começaram a ser chamados à Casa Civil. Em uma das reuniões, foram oito horas de pressão de Erenice Guerra. Um dos motivos, diz a ex-diretora, eram as três exigências da Anac para fechar o negócio. Denise exigiu dos sócios brasileiros as declarações de renda, explicações sobre a entrada de capital externo na operação e eventual contrato mútuo. Havia denúncia do Sindicato Nacional das Empresas Aéreas de que o aporte de capital estrangeiro era maior que o autorizado. "Me foi dito que eu estava extrapolando", diz Denise. A Anac dava demonstrações públicas de que queria investigar a fundo o negócio, pois numa ata de maio de 2006 determinava a confecção de convênio com o Conselho de Controle de Atividades Financeiras, o Coaf, que investiga lavagem de dinheiro. Se o Coaf tivesse sido acionado, a venda da Varig ao fundo Matlin Patterson certamente não teria sido realizada.
Para Denise, a maior pressão do governo e do escritório de Teixeira ocorreu em 23 de junho de 2006, para aprovar a venda da VarigLog para a Volo do Brasil, que permitiria posteriormente a compra da Varig. A ex-diretora da Anac avisou que não poderia votar porque havia contra si uma representação da VarigLog no Ministério da Defesa, feita pelo escritório de Teixeira. O então presidente da Anac, Milton Zuanazzi, havia convocado toda a diretoria e teria recebido telefonemas da Casa Civil para que o negócio fosse fechado. Zuanazzi então avisou o escritório de Teixeira sobre a impossibilidade de votação, enquanto permanecesse a representação contra a diretora. No mesmo dia, às 16h20, a representação foi retirada. Às 22 horas, a Anac redigiu a ata, aprovando o negócio. Zuanazzi negou a existência da representação, mas um ofício assinado pela advogada Adriana Marubayachi Angelozzi pede justamente o arquivamento dessa representação.
O procurador da Anac, João Ilídio, diz Denise, estava internado no hospital e foi convocado às pressas pela equipe de Dilma para redigir novo parecer, desta vez abrindo mão da apresentação dos documentos dos sócios brasileiros para comprovar origem do capital. O governo queria vender a Varig de qualquer forma.
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