É por estas razões que a medicina começa a voltar seus esforços para atender melhor esses pacientes. O primeiro passo é aprimorar os métodos de diagnóstico para esse público. "Os critérios ainda não são conhecidos de muitos médicos", afirma a psicóloga Iane Kestelman, presidente da Associação Brasileira de Déficit de Atenção e Hiperatividade. O resultado da falta de informação é que vários pacientes demoram muito a ter a resposta correta sobre seus sintomas. "Tem gente que passa a vida tratando uma depressão ou ansiedade, quando na verdade o problema de base é o TDAH", explica o médico Paulo Mattos, coordenador do Grupo de Estudos do Déficit de Atenção da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
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A dificuldade no diagnóstico priva os portadores do tratamento certo, criado a partir das pesquisas mostrando as alterações na química cerebral associadas ao transtorno. "Esses conhecimentos têm ajudado no desenvolvimento de terapias mais eficientes", afirma o neurologista Carlos Nogueira, professor de neurofisiologia clínica da Universidade de Brasília. Hoje, há opções de remédios que regulam a concentração no cérebro de substâncias vinculadas ao TDAH, particularmente a dopamina e a noradrenalina. "Os remédios melhoram os sintomas e a qualidade de vida dessas pessoas", diz o neurologista Mário Louzã, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo. Outra âncora do tratamento é a psicoterapia. O método ajuda os pacientes a organizar os pensamentos e ensina estratégias para tornar o dia-a-dia menos confuso. Tudo para que o hiperativo consiga se adaptar sem sofrimento à vida adulta.
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Volta por cima
Não é raro o administrador Josef Vainboin, 26 anos, esquecer documentos, mesmo depois de tê-los separado para levar ao trabalho. E ele também precisa controlar as crises de impulsividade. "Se vou fechar um contrato, morro de ansiedade." Para controlar os sintomas, o rapaz usa remédios e tem um "kit-memória" com agendas, despertadores e celular. Os primeiros sinais do TDAH apareceram na infância. "Era desatento e tinha dificuldade de aprendizagem." Mas o diagnóstico de um psiquiatra foi desolador. "Ele disse que eu tinha QI muito baixo e que não concluiria os estudos", conta. Seu pai, Israel, o levou para os EUA. "Lá soubemos o que era o problema. E consegui estudar." |
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