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TEMPOS FELIZES O clã Kennedy em 1960, pouco depois da eleição de JFK; e a casa da família em Palms Springs, na Flórida. Acima, os irmãos Teddy, John e Robert (Bobby) Kennedy |
Teddy é talvez o último representante, no espectro político americano, do liberalismo rooseveltiano do Partido Democrata. Nos Estados Unidos, isso significa adotar posições "de esquerda", como a defesa dos direitos civis e a manutenção do Estado de Bem-Estar. Kennedy rima como ultraliberalismo. Mas nem sempre foi assim. Embora apoiasse o New Deal de Franklin Roosevelt, o patriarca Joe Kennedy era reacionário e quase anti-semita. Como embaixador americano em Londres, nos anos 1930, simpatizava com Adolf Hitler e defendia o não-envolvimento dos Estados Unidos na guerra contra a Alemanha nazista. Seus filhos também começaram a carreira política à direita. Nos anos 1950, em plena Guerra Fria, enquanto John Kennedy estreava no Congresso aliado aos setores mais conservadores do Partido Democrata, o advogado Bobby trabalhava na famigerada Comissão de Atividades Antiamericanas, cujo presidente, o senador Joseph McCarthy, promovia uma caça às bruxas em nome do "combate ao comunismo".
Na eleição presidencial de 1960, John Kennedy venceu o republicano Richard Nixon por uma margem mínima de votos (118 mil). Para isso, ele contou com o forte apoio do mafioso Sam Giancana em Illinois. Apesar da radical mudança de estilo que representou a chegada de Jacqueline Kennedy à Casa Branca, em termos políticos o governo Kennedy era tão obcecado pelo anticomunismo quanto Eisenhower ou Nixon. O presidente não só aprovou operações secretas contra Cuba, como a invasão da Baía dos Porcos em 1961, como iniciou a escalada das tropas americanas no Vietnã e a corrida nuclear - apesar das bobagens em contrário ditas no filme JKF, de Oliver Stone. Foi Bobby Kennedy, que se tornou procurador-geral (equivalente a ministro da Justiça) no governo do irmão, quem fez a virada política decisiva do clã. E esta se deu por causa do pastor negro Martin Luther King, líder da luta pelos direitos civis. Bobby, que inicialmente mandara o FBI espionar King por suspeitar que seu movimento estava infiltrado por comunistas, passou a defendê-lo na luta contra os racistas do sul dos Estados Unidos. O procurador se envolveu a tal ponto que ajudou o governo a preparar a Civil Rights Act (Lei dos Direitos Civis), que, entre outras coisas, acabava com a discriminação racial que perdurava no sul desde a Guerra Civil. Muito criticada no Congresso, a lei foi aprovada em 1964, sob o impacto do assassinato de John Kennedy. Eleito senador por Nova York em 1964, Bobby mergulhou na campanha pelos direitos civis e na defesa dos marginalizados. Também se tornou um crítico ácido da guerra do Vietnã. Naquele ano de 1968, o pré-candidato conquistou o apoio da juventude que se rebelava contra o establishment. Depois de Bobby, Teddy fez uma guinada ainda mais à esquerda e se tornou o algoz da política externa americana, principalmente do apoio de Washington a ditaduras do Terceiro Mundo.
O candidato democrata Barack Obama já se declarou herdeiro do legado dos Kennedy. É uma homenagem que o primeiro candidato negro à Casa Branca presta à memória de JFK e Bobby. Mas ele conseguirá manter esse ideário progressista se ganhar as eleições de novembro?
EM NOME DO PAI
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TRAQUEJO JFK, com Jackie e Caroline, às vésperas de chegar à Casa Branca |
Caroline tinha apenas três anos quando uma fotografia sua correu mundo. Estava no colo da mãe, Jacqueline Bouvier Kennedy, acariciando o rosto do pai, John Fitzgerald Kennedy. Feita em janeiro de 1961, às vésperas da posse de John Kennedy como 35º presidente dos Estados Unidos, a imagem de Caroline não sinalizou seu alinhamento com a trajetória pública da família. Adepta da discrição, ela formou-se em direito por Harvard, casou-se com o especialista em design interativo Edwin Scholossberg, teve três filhos e sempre manteve distância dos holofotes. Agora com 50 anos, a única filha viva do mitológico casal acabou por assumir o papel que parecia moldado para seu irmão mais novo, John Fitzgerald Kennedy Jr., o John-John, morto em um acidente aéreo em julho de 1999. À frente da fundação que leva o nome de seu pai, Caroline não hesitou em questionar o republicano George W. Bush, durante a campanha de 2004, quando ele tentou usar a seu favor a memória do presidente assassinado em Dallas. Mais recentemente, ela antecipou a posição da maioria do clã ao anunciar seu apoio ao democrata Barack Obama. "Nós precisamos de mudança na condução deste país, da mesma forma que aconteceu em 1960", disse.
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SÍMBOLO Aos 50 anos, Caroline apóia Barack Obama e defende mudanças |
No dia seguinte, estava ao lado do tio, o senador Teddy Kennedy, quando ele oficializou sua adesão à campanha de Obama. A mais recente missão de Caroline é ajudar Obama a escolher um vice para a chapa do Partido Democrata que disputará as eleições presidenciais de novembro. Tarefa fácil para uma garota nascida e criada em uma família cujos genes parecem determinar traquejo político. E cuja infância incluiu uma bela temporada na Casa Branca.
LUIZA VILLAMÉA
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