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Internacional  
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O adeus a uma dinastia
Quatro décadas depois da morte de Robert Kennedy, a descoberta de um câncer no atual patriarca Teddy deixa uma interrogação sobre o futuro do legado político da mais glamourosa família dos Estados Unidos

Por CLÁUDIO CAMARGO


AG. ISTOÉ
TEMPOS FELIZES O clã Kennedy em 1960, pouco depois da eleição de JFK; e a casa da família em Palms Springs, na Flórida. Acima, os irmãos Teddy, John e Robert (Bobby) Kennedy

Teddy é talvez o último representante, no espectro político americano, do liberalismo rooseveltiano do Partido Democrata. Nos Estados Unidos, isso significa adotar posições "de esquerda", como a defesa dos direitos civis e a manutenção do Estado de Bem-Estar. Kennedy rima como ultraliberalismo. Mas nem sempre foi assim. Embora apoiasse o New Deal de Franklin Roosevelt, o patriarca Joe Kennedy era reacionário e quase anti-semita. Como embaixador americano em Londres, nos anos 1930, simpatizava com Adolf Hitler e defendia o não-envolvimento dos Estados Unidos na guerra contra a Alemanha nazista. Seus filhos também começaram a carreira política à direita. Nos anos 1950, em plena Guerra Fria, enquanto John Kennedy estreava no Congresso aliado aos setores mais conservadores do Partido Democrata, o advogado Bobby trabalhava na famigerada Comissão de Atividades Antiamericanas, cujo presidente, o senador Joseph McCarthy, promovia uma caça às bruxas em nome do "combate ao comunismo".

Na eleição presidencial de 1960, John Kennedy venceu o republicano Richard Nixon por uma margem mínima de votos (118 mil). Para isso, ele contou com o forte apoio do mafioso Sam Giancana em Illinois. Apesar da radical mudança de estilo que representou a chegada de Jacqueline Kennedy à Casa Branca, em termos políticos o governo Kennedy era tão obcecado pelo anticomunismo quanto Eisenhower ou Nixon. O presidente não só aprovou operações secretas contra Cuba, como a invasão da Baía dos Porcos em 1961, como iniciou a escalada das tropas americanas no Vietnã e a corrida nuclear - apesar das bobagens em contrário ditas no filme JKF, de Oliver Stone. Foi Bobby Kennedy, que se tornou procurador-geral (equivalente a ministro da Justiça) no governo do irmão, quem fez a virada política decisiva do clã. E esta se deu por causa do pastor negro Martin Luther King, líder da luta pelos direitos civis. Bobby, que inicialmente mandara o FBI espionar King por suspeitar que seu movimento estava infiltrado por comunistas, passou a defendê-lo na luta contra os racistas do sul dos Estados Unidos. O procurador se envolveu a tal ponto que ajudou o governo a preparar a Civil Rights Act (Lei dos Direitos Civis), que, entre outras coisas, acabava com a discriminação racial que perdurava no sul desde a Guerra Civil. Muito criticada no Congresso, a lei foi aprovada em 1964, sob o impacto do assassinato de John Kennedy. Eleito senador por Nova York em 1964, Bobby mergulhou na campanha pelos direitos civis e na defesa dos marginalizados. Também se tornou um crítico ácido da guerra do Vietnã. Naquele ano de 1968, o pré-candidato conquistou o apoio da juventude que se rebelava contra o establishment. Depois de Bobby, Teddy fez uma guinada ainda mais à esquerda e se tornou o algoz da política externa americana, principalmente do apoio de Washington a ditaduras do Terceiro Mundo.

O candidato democrata Barack Obama já se declarou herdeiro do legado dos Kennedy. É uma homenagem que o primeiro candidato negro à Casa Branca presta à memória de JFK e Bobby. Mas ele conseguirá manter esse ideário progressista se ganhar as eleições de novembro?

EM NOME DO PAI

AG. ISTOÉ
TRAQUEJO JFK, com Jackie e Caroline, às vésperas de chegar à Casa Branca

Caroline tinha apenas três anos quando uma fotografia sua correu mundo. Estava no colo da mãe, Jacqueline Bouvier Kennedy, acariciando o rosto do pai, John Fitzgerald Kennedy. Feita em janeiro de 1961, às vésperas da posse de John Kennedy como 35º presidente dos Estados Unidos, a imagem de Caroline não sinalizou seu alinhamento com a trajetória pública da família. Adepta da discrição, ela formou-se em direito por Harvard, casou-se com o especialista em design interativo Edwin Scholossberg, teve três filhos e sempre manteve distância dos holofotes. Agora com 50 anos, a única filha viva do mitológico casal acabou por assumir o papel que parecia moldado para seu irmão mais novo, John Fitzgerald Kennedy Jr., o John-John, morto em um acidente aéreo em julho de 1999. À frente da fundação que leva o nome de seu pai, Caroline não hesitou em questionar o republicano George W. Bush, durante a campanha de 2004, quando ele tentou usar a seu favor a memória do presidente assassinado em Dallas. Mais recentemente, ela antecipou a posição da maioria do clã ao anunciar seu apoio ao democrata Barack Obama. "Nós precisamos de mudança na condução deste país, da mesma forma que aconteceu em 1960", disse.

RICHARD DREW/AP
SÍMBOLO Aos 50 anos, Caroline apóia Barack Obama e defende mudanças

No dia seguinte, estava ao lado do tio, o senador Teddy Kennedy, quando ele oficializou sua adesão à campanha de Obama. A mais recente missão de Caroline é ajudar Obama a escolher um vice para a chapa do Partido Democrata que disputará as eleições presidenciais de novembro. Tarefa fácil para uma garota nascida e criada em uma família cujos genes parecem determinar traquejo político. E cuja infância incluiu uma bela temporada na Casa Branca.

LUIZA VILLAMÉA

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13/6/2008


 
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