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Internacional  
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O adeus a uma dinastia
Quatro décadas depois da morte de Robert Kennedy, a descoberta de um câncer no atual patriarca Teddy deixa uma interrogação sobre o futuro do legado político da mais glamourosa família dos Estados Unidos

Por CLÁUDIO CAMARGO

HY PESKIN/TIME LIFE PICTURES/ GETTY IMAGES
BABY BOOMERS John e Jackie Kennedy, ícones da nova geração que chegava ao poder nos anos 1960

Mais uma vez, confirma-se a idéia fatídica de que a saga dos Kennedy se assemelha a uma tragédia grega. Ou shakespeariana. A riqueza, o poder e a glória da família cujo ápice foi o período em que o casal John e Jacqueline Kennedy ocupou a Casa Branca (1961-1963) têm atraído, com freqüência perturbadora, mortes violentas, acidentes e escândalos vários. A última manifestação desse "destino manifesto" do clã ocorreu agora em maio, quando o veterano senador Edward ("Teddy") Moore Kennedy, 76 anos, o caçula da geração de John Kennedy, foi diagnosticado com um tumor maligno no cérebro. Por estranha coincidência, Teddy ficou sabendo de sua doença dias antes do 40º aniversário do assassinato de seu irmão, o também senador Robert ("Bobby") Francis Kennedy. O mal que acometeu Teddy deixa no ar a questão: quem herdará o legado político da dinastia?

A história política dos Kennedy começa nos anos 1930 com o patriarca do clã, Joseph ("Joe") Patrick Kennedy (1888-1969), um empresário descendente de irlandeses que fez fortuna contrabandeando bebidas para a Máfia durante a Lei Seca (1919-1933). Joe cismou que um de seus filhos deveria chegar à Casa Branca. Todos eram bonitos e brilhantes, como os gregos; mas com irrefreáveis tendências etílicas e queda por rabos-de-saia, como os irlandeses. O escolhido, naturalmente, foi o primogênito, Joseph Patrick ("Joe Jr.") Kennedy Jr., mas Joe pai era prevenido. "Se alguma coisa acontecer ao Joe Jr.", dizia o patriarca, "temos Jack (John). Se alguma coisa acontecer ao Jack, temos Bobby. E se, finalmente, algo também acontecer ao Bobby, temos Teddy". Mas Joe pai nunca imaginaria que a tragédia se abateria sobre todos os eleitos, como se fora uma manifestação da Nêmesis, a personificação grega da "vingança dos deuses", contra a Hybris, a soberba e a desmesura. Joe Jr. morreria em combate em 1944, durante a Segunda Guerra Mundial. John seria assassinado em Dallas, no Texas, em 22 de novembro de 1963, quando era o 35º presidente americano. E Bobby, candidato a presidente, também seria morto a tiros em junho de 1968. Um ano depois, Teddy, o herdeiro, senador por Massachusetts desde 1962, envolveu-se num acidente automobilístico em Chappaquiddick (Nova York), no qual sua secretária, Mary Jo Kopechne, morreu afogada. A suspeita de que o senador fugiu da cena sem prestar socorro porque tinha um caso extraconjugal com Mary Jo minaria para sempre suas chances de chegar à Casa Branca. Depois disso, ninguém das gerações posteriores conseguiu segurar a tocha deixada pela geração de John, Bobby e Teddy. Dois filhos de Bobby morreram precocemente: David Anthony, em 1984, de overdose, e Michael LeMoyne, em 1997, em um acidente de esqui. E também John Kennedy Jr., filho de John, morreria junto com a mulher e a cunhada na queda de um avião que ele próprio pilotava, em 1999.

AG. ISTOÉ
TRACEY TRUMBELL/SIPA PRESS

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13/6/2008


 
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