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Os ciganos modernos
Eles preservam a cultura, mas dão valor ao estudo até para defender seus direitos, agora expressos em cartilha do governo

CARINA RABELO

Em geral, as mulheres são mais interessadas nos estudos do que os homens, que trocam a faculdade pelo comércio para sustentar a família. Mas, atualmente, eles já sabem do valor de um diploma. Carlos Alberto Batuli, 59 anos, conhecido como Carlinhos Cigano em Nova Iguaçu (RJ), onde fica a maior comunidade cigana no Brasil, criou a prole com este objetivo. Ele decidiu que os seus quatro filhos não enfrentariam as dificuldades que os seus parentes tiveram para conseguir emprego. "Meus primos tinham vergonha de dizer que eram ciganos. Eu queria que os meus filhos tivessem orgulho da origem e fossem respeitados na sociedade", conta.

PRECURSORA Primeira cigana com curso superior, Mirian ajudou a elaborar a cartilha

O esforço compensou. Iordana se formou em medicina, Carla em direito, Patrícia em educação física e Carlos Dreik cursa fisioterapia. "Sou muito grata ao meu pai. Não deixei de ser cigana porque fiz faculdade e meu marido, que também é cigano, entende os meus plantões e respeita a minha escolha", afirma a ginecologista Iordana Carla de Sá Batuli, 33 anos. "Evolução não significa perder as tradições. Afinal, não vivemos como há 200 anos", complementa a sua irmã, a advogada Carla Andréia Batuli, 32.

Nem todas as mulheres ciganas tiveram o incentivo da família na luta por um curso superior. Imar Lopes Garcia, 51, líder do clã Tsara-Romai na baixada santista, sonhava em estudar psicologia, mas foi proibida pelos pais e pelo marido, com quem se casou aos 16 anos. "Eles diziam que eu tinha que cuidar da casa e dos filhos e que estudar era coisa dos gajes (não ciganos)." Mas o sonho permaneceu. Além de ter se realizado ao ver três dos seus dez filhos concluírem a faculdade, Imar pretende trabalhar como assistente social na comunidade local. "Quero ajudar as mulheres do meu povo a terem melhores condições de vida", diz. Quem tem residência fixa pode estudar, mas os andarilhos ainda estão fora do sistema educacional. "Nosso próximo desafio é incluir os ciganos nômades no processo de alfabetização", diz o presidente da Associação de Preservação da Cultura Cigana do Estado do Paraná, Cláudio Iavanovitch.

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13/6/2008


 
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