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Brasil  
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A casa de Yeda
A governadora é acusada de compactuar com a corrupção e até de comprar imóvel com dinheiro de campanha

RUDOLFO LAGO

ITAMAR AGUIAR/PALÁCIO PIRATINI
"Não fiz nada de errado. Eles que se virem para explicar como comprei a casa"
Yeda Crusius, governadora do Rio Grande do Sul

O Rio Grande do Sul está em situação pré-falimentar. Na sua própria campanha, Yeda admitia isso. Entre o primeiro e o segundo turnos da eleição, para obter sustentação política, a então candidata aproximouse do PMDB, do exgovernador Germano Rigotto, e do PP. No acordo para a aproximação, ela comprometeu- se a aprovar um tarifaço, um aumento de impostos que Rigotto propunha. Foi o início dos desentendimentos. Feijó foi à Assembléia Legislativa fazer campanha contra a medida. Antes mesmo da posse, o DEM rompeu com Yeda. O partido não tem sequer um secretário no governo.

O que Feijó afirma é que, no processo de aproximação com o PMDB e o PP, Yeda começou a fazer vista grossa a irregularidades que esses dois partidos cometeriam em órgãos que já eram seus nichos de poder, especialmente o Banrisul e o Detran. Esse seria o mote da conversa com Cezar Busatto, ex-chefe da Casa Civil, que pertence ao PPS. "Todos os governadores só chegaram aqui com fonte de financiamento - hoje é o Detran (...) e o Banrisul", disse Busatto, em determinado trecho.

No caso do Detran, nem mesmo Yeda nega os problemas. A partir da Operação Rodin, da PF, descobriramse irregularidades na contratação, pelo órgão, de fundações ligadas a universidades gaúchas para a realização de exames de motorista. Os depoimentos na assembléia revelam a existência de um grande esquema. "Mas esse não é o meu Detran", defende-se Yeda, argumentando que a situação ocorria antes que ela assumisse. "O problema é que as denúncias existem, e os partidos envolvidos ainda integram o governo. É preciso uma solução", reclama o presidente do DEM no Rio Grande do Sul, deputado Onyx Lorenzoni.

A crise gaúcha teve repercussões nacionais. Irritado, o PSDB exigiu providências ao DEM contra Feijó. O senador Heráclito Fortes (DEM-PI) protocolou na quinta-feira 12 um pedido de expulsão do vice-governador. "A questão não é a denúncia, mas a forma. Eu mesmo já fui vítima de grampo e abomino isso", diz Heráclito. No momento, os esforços, tanto do PSDB como do DEM, são para esfriar os ânimos. Talvez eles não contem, para isso, com a ajuda dos dois principais protagonistas da crise. "Não me arrependo de nada e, se necessário, faço tudo de novo", provoca Feijó. "O meu vice é meu adversário, é meu inimigo", devolve Yeda.


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13/6/2008


 
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