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"Não tenho nem 1% de nenhuma hidrelétrica"
Senador Marconi Perillo (PSDB-GO) |
O governador de Rondônia, Ivo Cassol, também coleciona PCHs e luta na Justiça contra a acusação de que uma de suas hidrelétricas agride o meio ambiente. "O governador Ivo Cassol tem umas cinco PCHs, todas irregulares", acusa a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva (PT-AC). As usinas de Cassol, conforme declarações do Ministério Público Federal, interrompem o fluxo de água que abastece áreas indígenas, alterando o bioma e causando severo impacto ambiental, como a estiagem em mananciais e a morte de peixes e animais silvestres. Na tarde da quintafeira 12, a assessoria de imprensa do governador Cassol, através de um assessor que se identificou como Marco Antônio, informou que o governador estava no interior e que só ele poderia se manifestar sobre as PCHs.
O Ministério Público também já constatou que em muitos casos os nomes de deputados e senadores não fazem parte das empresas que procuram explorar as PCHs, mas estão por trás das concessões fornecidas pela Aneel e pelo Ibama. Como os parlamentares têm foro privilegiado, seus nomes são mantidos sob sigilo pelos procuradores até que as investigações sejam remetidas aos tribunais superiores. Mas o que eles descobriram é que muitos políticos oferecem seus préstimos na facilitação dos trâmites dos projetos nos órgãos oficiais. Em troca, pedem pela consultoria um percentual em torno de 20% do capital a ser investido. ISTOÉ apurou que um dos parlamentares citados nas investigações do Ministério Público é o senador Marconi Perillo (PSDB-GO), que teria participações não declaradas em algumas PCHs. "Não é verdade. Não tenho nem 1% de nenhuma hidrelétrica", afirma Perillo. Outro nome citado na apuração do MP é o do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Ele seria sócio do doleiro Lúcio Bolonha Funaro na PCH do rio Apertadinho, em Vilhena, Rondônia. "Não sou sócio e Funaro não é nem amigo nem inimigo", afirma o deputado.

Como funcionam as PCHs
As PCHs são hidrelétricas de pequeno porte. Enquanto uma hidrelétrica como Itaipu possui 12.600 MW de capacidade instalada, as PCHs geram, no máximo, 30 MW. E, ao contrário dessas usinas gigantescas, que represam grandes rios, as PCHs operam com pequenas correntes d'água e, por isso, podem ser instaladas em uma grande variedade de locais. A energia produzida por essas usinas menores atende a poucos consumidores, mas seu custo operacional às vezes pode ser maior do que o de hidrelétricas de grande porte. Isso porque o reservatório das PCHs não armazena muita água. Assim, em período de seca, pode ocorrer ociosidade e, em período chuvoso, interrupção dos trabalhos. A concessão das PCHs é regulada pela Resolução 394/98 da Aneel, segundo a qual o investidor deve apresentar um projeto básico indicando o local da exploração e a viabilidade técnica, ambiental e econômica. Qualquer pessoa jurídica, pública ou privada, pode solicitar a concessão de uma pequena usina. |
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