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BRASIL
Problemas no horizonte
Nova denúncia acusa a ministra Dilma Rousseff de interferir com mão pesada em negócios privados, atropelando as agências reguladoras e até a legislação

Por HUGO MARQUES, OCTÁVIO COSTA E RUDOLFO LAGO

ADRIANO MACHADO/FOLHA IMAGEM
DEFESA Teixeira diz que vai processar Denise

Na quarta-feira 11, Denise formalizará suas denúncias no Congresso. Promete ir além das palavras e deverá apresentar documentos, inclusive atas de reuniões da Anac e ofícios recebidos da Casa Civil. Mas o novo escândalo vai além dos rumos políticos que costumam tomar no Parlamento. Impressionado com as denúncias, o juiz José Paulo Magano, da 17ª Vara Civil de São Paulo, remeteu o processo sobre a VarigLog para o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza. “Como a situação caracteriza, a princípio, prática de ilícito penal envolvendo ministra de Estado, determino a remessa de todo o processo ao procuradorgeral da República”, concluiu o juiz Magano, em seu despacho. A ministra, que tem o hábito de responder com virulência a qualquer ataque recebido, reagiu com surpreendente passividade às acusações, como um pugilista nas cordas. “Isso não é verdade. A Denise está mentindo”, afirmou Dilma. A ex-diretora da Anac gostou da resposta. “Deixa ela negar. Ela não diz o que e em que eu menti. Confirmo tudo o que disse e vou apresentar documentos”, afirmou Denise à ISTOÉ, na tarde da quinta-feira 5. Um desses documentos, um despacho interno da agência, pode ser lido à pág. 31. Muitos apostam que as versões iniciais de Dilma irão cair por terra, assim como no caso do dossiê.

OUTROS NEGÓCIOS
Com seu estilo de mulher de negócios na Casa Civil, Dilma se intrometeu em várias operações. E até justificou sua presença, alegando “razões de Estado”. Segundo ela, o Executivo interfere, sim, nos negócios privados com o objetivo de “criar um ambiente de concorrência”. É uma visão questionável e que se torna irregular quando se sobrepõe aos ritos da lei e ao papel das agências reguladoras. Foi Dilma quem permitiu que a empresa de telefonia Unicel entrasse no mercado de Banda E na capital paulista e em 63 municípios de São Paulo, depois de ser desclassificada pela Anatel, a agência das telecomunicações. Neste setor, ela também atropelou os fundos de pensão e os obrigou a aceitar o acordo de venda da Brasil Telecom à Oi – um negócio que contou com R$ 2,6 bilhões do BNDES e, diga-se de passagem, ainda está à margem da legislação. Para concretizá-lo, falta mudar a Lei Geral de Telecomunicações e as pressões para que isso ocorra, naturalmente, vêm da Casa Civil.

No caso dos bilionários leilões das hidrelétricas do rio Madeira, a Casa Civil não só decidiu que estatais participariam e associadas a quem como também validou estudos técnicos da construtora Odebrecht, que foram questionados pelo grupo francês Suez como se estivessem superfaturando a obra. Na petroquímica, foi também Dilma quem, à frente do conselho da Petrobras, decidiu que a empresa pagasse R$ 2,7 bilhões pelo controle da Suzano Petroquímica – valor, à época, considerado muito acima do preço de mercado.

Por tudo isso, Dilma ganhou fama como “a ministra dos grandes negócios”. Nos últimos anos, coube a ela fomentar e incentivar grandes obras de infra-estrutura. Dependem de seu aval cifras bilionárias, como o orçamento de R$ 503 bilhões do PAC. Ela ganhou projeção e também inimigos, quando foi escolhida pelo presidente Lula para sua sucessão em 2010. O que mais desnorteia Dilma a essa altura é já não saber de onde vêm os tiros nem quais são seus reais objetivos. Ela não tem dúvida, porém, de que a nova denúncia que a desgasta encaixa-se perfeitamente nos interesses daqueles que querem vê-la pelas costas dentro do PT. A começar pelo seu antecessor na Casa Civil, José Dirceu. Além de razões políticas, Dirceu, como consultor, teria clientes interessados na anulação da compra da VarigLog. Seriam candidatos num novo leilão judicial, que pode ocorrer se a concessão da empresa vier a ser cassada.

Dilma vive sob o espectro do antecessor. Nos casos positivos, é inevitável a comparação. Como Dilma, Dirceu era visto como uma espécie de primeiro- ministro, o mais poderoso do Planalto, por onde passam todos os grandes projetos do governo. A comparação também serve nos casos negativos. Dilma é responsável por todos os problemas que venham a atrapalhar o governo. E até, ao passar a imagem de arrogância e prepotência, Dilma carrega a sombra de Dirceu.

 

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11/6/2008


 
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