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No caso da VarigLog, a lei determina que as empresas aéreas podem ter no máximo 20% de participação de capital estrangeiro. Portanto, antes que a venda da Varig e da VarigLog fosse aprovada, a Anac deveria, com a participação dos órgãos competentes, como Banco Central e Receita, investigar a origem do dinheiro dos sócios brasileiros, a fim de se assegurar de que não se tratava de laranjas. Mas, segundo relata Denise, a ministra Dilma pressionou para que essa investigação não se realizasse e o negócio fosse aprovado – e a história terminou com os sócios guerreando entre si e a empresa em estado pré-falimentar. Na quintafeira 5, outros três ex-diretores da Anac confirmaram as pressões denunciadas por Denise. Leur Lomanto disse que a agência decidiu aprovar a transferência acionária, mesmo sem a comprovação da origem do capital e a comprovação de renda: “A ministra e a Erenice diziam que a gente estava criando dificuldades. Queriam culpar a Anac pela quebra da Varig”, afirmou Lomanto. O ex-diretor Josef Barat define o episódio como “um exemplo bem didático de como não se deve agir com uma agência reguladora”. E o ex-diretor Jorge Velozo confirmou as pressões sobre o ex-diretor-presidente Milton Zuanazzi: “Meu entendimento era com o Milton. Acredito que ele era cobrado pelo Planalto por se tratar de uma empresa como a Varig.” Por último, foi a vez do brigadeiro José Carlos Pereira, ex-presidente da Infraero, também revelar que foi pressionado por Dilma a “não se intrometer e não criar problemas”.
Denise colocou um ingrediente ainda mais apimentado na denúncia. Disse que a pressão sobre a Anac era também exercida pelo advogado Roberto Teixeira, compadre de Lula, e sua filha Valeska, advogada e afilhada do presidente. Teixeira advogou para o fundo americano na venda da Varig e, segundo Denise, Valeska era assídua freqüentadora da Anac, onde pressionava para que a operação fosse aprovada à margem da lei. O sócio da VarigLog Marco Antônio Audi confirma que teve duas reuniões com Dilma. Num desses encontros, contou o empresário à ISTOÉ, os dois foram depois ao gabinete do presidente Lula. A primeira reunião foi no primeiro semestre de 2006 e a outra, com Lula, em 15 de dezembro do mesmo ano. Audi defende a quebra de sigilo de todos os sócios da Varig e da Varig-Log, inclusive o dele, das autoridades da Casa Civil e de seu ex-advogado Roberto Teixeira, que, segundo ele, faz chover. “O Teixeira não é um simples advogado, ele é o compadre do presidente Lula. Está a toda hora com pessoas do governo, vai lá e resolve.” Audi diz ter pago US$ 5 milhões para Teixeira. O advogado reagiu às acusações de que consegue as coisas por ser amigo do presidente. “O Lula, enquanto presidente, não favorece nem mesmo a família dele, o que dirá os amigos.” Teixeira promete processar Audi e Denise.
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| PROVAS Relatório da Anac, assinado por Denise Abreu, em 16 de junho de 2006, confirma que na agência havia questionamento sobre a origem do capital usado na compra da Varig |
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