Em 1992, esses brasileiros detinham 13,3% da renda nacional e, em 2006, o percentual saltou para 17,6%. No mesmo período, o contingente populacional desta faixa etária aumentou apenas 2%, ou seja, a renda cresceu o dobro. Os rendimentos médios mensais dos idosos, que era de R$ 548, pulou para R$ 780. “A boa notícia para essas pessoas é que elas têm mais dinheiro para comprar prazer. A má é que têm de conviver com problemas de saúde. Só que a má notícia tem ficado cada vez menor e a boa, cada vez maior”, compara Néri.
Alexandrino Alencar corre na USP diariamente, não desgruda do iPod e se define pagodeiro. Acaba de completar 60 anos com uma festança na qual espalhou fotos suas em situações de envelhescente – comprando Viagra na farmácia, por exemplo. Um de seus presentes foi a apresentação de uma bela jovem que, de lingerie, fez um número de pole dance no palco onde seus amigos pagodeiros tocavam. “Sou um envelhescente alto-astral. Tô sempre sorrindo”, diz ele
Alexandrino Alencar Químico e advogado, 60 anos |
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O avanço no diagnóstico precoce e a prevenção de doenças têm feito o brasileiro viver cada vez mais. Hoje, a expectativa de vida é de 71,5 anos, quase três a mais do que oito anos atrás. A maior longevidade da população – o contingente acima de 60 anos cresce meio milhão por ano – é muito mais prazerosa desde o lançamento do Viagra, o remédio que melhora a ereção, dez anos atrás. No primeiro trimestre deste ano, foram consumidos 4,3 milhões de comprimidos no Brasil, 6% a mais do que no mesmo período do ano passado. A indústria farmacêutica também trabalha para lançar remédios que minimizem os efeitos da menopausa na sexualidade feminina. Ou seja, os envelhescentes, que na juventude comemoraram o lançamento da pílula anticoncepcional, contam mais uma vez com a medicina para participar desta segunda revolução sexual e podem encarar melhor os fantasmas da impotência, frigidez e decadência do corpo.
Com três filhas (de 18, 32 e 33 anos) e quatro netos, a designer de jóias paulista Lena Antabi diz que teve vários namorados desde que terminou o segundo casamento. Muitos, como o último, de 40 anos, mais novos do que ela. “Imagina se vou vestir o pijama e deixar de namorar. Quero mesmo é ser feliz”, afirma. Lena, que está reformando um imóvel onde pretende criar um espaço para receber amigos, tem como hobby fazer mandalas de flores. “A vida é muito boa e quero vivê-la com intensidade”
Lena Antabi Designer de jóias, 57 anos |
“Hoje, gente da minha idade se atreve a olhar alguém interessante e jovem”, comemora o executivo Alexandrino, que mora sozinho e assume usar, por conforto e garantia, comprimidos para melhorar o desempenho sexual. Uma pesquisa coordenada pela psiquiatra Carmita Abdo, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, mostrou que 42% dos homens entre 51 e 60 anos declararam viver atualmente a melhor fase de suas vidas, no critério sexual. O estudo foi feito em 2006, em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte, e ouviu 612 homens entre 40 e 70 anos que tomam medicamentos para melhorar a ereção.
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Jesse de Brasil afora Andrade
Empresário, 55 anos |
Consultor da Organização Mundial de Saúde para assuntos de envelhecimento, o especialista em saúde pública Renato Veras reforça: “Não assistimos a apenas mais velhinhos andando no calçadão de Copacabana. Eles estão consumindo, namorando, mudando os conceitos familiares. É uma revolução dos cabelos brancos”. Mauro, o professor de tênis carioca, é um exemplo disso. Separado há dez anos depois de alguns casamentos, já teve várias namoradas, e planeja ter mais um filho e, quem sabe, se casar de novo. “Eu, definitivamente, não consigo ficar sem companhia feminina. Não dá para viver sem namorar ou estar casado”, diz ele, que também já usou Viagra.
Para o geriatra Paulo Carneiro, diretor- clínico do Hiléa, um moderno centro de vivência para pessoas da terceira idade, o que protege o cérebro do envelhecimento é fazer planos e colocá- los em prática. Alexandrino Alencar vem montando sua “idéia de futuro” há sete anos. Ela é baseada em três “esses”, como diz: sol, segurança e saúde. O local onde desfrutará disso tudo, ao se aposentar, é Laguna (SC), onde já esteve duas vezes. “Quero comprar uma rádio FM lá, para tocar MPB e notícias. E, como sou químico e advogado, pretendo dar aula em uma universidade. De resto, quero andar de bicicleta e lambreta para aproveitar o sol”, planeja. Ele já agendou para fevereiro sua terceira viagem de reconhecimento a Laguna – de avião e, claro, com iPod a tiracolo.
Colaboraram: Adriana Prado e Claudia Jordão
Produção: L. A. Braga Júnior & Juliana Scchneider.
Agradecimentos: Carrefour
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