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Comportamento  
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Os envelhecentes
Pela primeira vez, uma geração chega aos 60 anos desfrutando de liberdade emocional, sexualidade plena e segurança financeira. Como esta segunda adolescência virou um novo jeito de viver

RODRIGO CARDOSO

A gerobrntóloga Cristina Fogaça, presidente da Associação das Universidades e Faculdades Abertas para a Terceira Idade (Aufati), tem na ponta da língua uma explicação para o comportamento dos envelhescentes: “Esta é a fase que permite à pessoa mostrar quem realmente ela é, colocando em prática os sonhos que não puderam ser realizados antes, enquanto cuidavam da realidade: a educação dos filhos e a busca do eldorado financeiro”.

Algo parecido foi verificado pela psicóloga Sila Calderoni em uma dissertação de mestrado defendida em outubro passado na Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo. Para concluir O mestre em gerontologia e a perspectiva da própria velhice, Sila levantou o que as pessoas entre 40 e 60 anos que estudam o idoso pensavam sobre a própria terceira idade. “Verifiquei que, com um pouco mais de experiência, elas conseguem olhar para si, enxergar o que querem e ir atrás dos desejos”, diz a pesquisadora. “É como se tivessem que acertar os ponteiros para serem felizes.” É essa a sensação da envelhescente paulista Leonor Cervoli. “Curto muito mais a vida, hoje, do que nos anos 60”, diz.

Aos 62 anos, Leonor é uma mulher naturalmente bela, não fez plástica e seu kit de maquiagem é composto apenas por batom, rímel e lápis preto. Vencedora do concurso Miss Paulistana 2007 para pessoas acima de 60 anos, ela faz questão de ressaltar que usa biquíni e tem 1,15 metro de perna. “Cinco centímetros a menos do que a (modelo e apresentadora) Ana Hickmann”, frisa. “Sou toda dura, uso biquíni e não quero ter barriguinha”, diz ela, que religiosamente faz cem abdominais diários. Por não aparentar a idade, Leonor acostumou-se a ter de mostrar a identidade no cinema para provar que tem direito à meia-entrada.

Mãe duas vezes e avó, Leonor vende jóias e faz trabalho voluntário em hospitais, mas se define como uma aventureira. Ela e o marido, Antônio Luiz Cervoli, de 64 anos, acabam de chegar de uma viagem que começou em um cruzeiro pela Espanha e África e terminou em um automóvel, com o qual rodaram três mil quilômetros pela Europa. Casados – e apaixonados – há 42 anos, já fizeram reserva em um restaurante para o Dia dos Namorados. Três vezes por ano, ela viaja sozinha à Bahia para visitar a filha e curtir Salvador e já tirou férias com as amigas em Fortaleza.

Solteiro após alguns casamentos, o professor de tênis carioca Mauro Siqueira gosta de acordar cedo nos finais de semana para cavalgar. De noite, diverte-se no bairro da Lapa, reduto dos boêmios redescoberto por ele recentemente. Também freqüenta cinema, teatro e shows. “Eu, definitivamente, não consigo ficar sem companhia feminina. Não dá para viver sem namorar ou estar casado”, diz ele, que já usou Viagra e quer casar novamente

Mauro Siqueira Professor de tênis, 55 anos

 

Essa nova atitude dos sessentões também pode ser explicada por um viés histórico. Os envelhescentes de hoje foram os jovens de 1968, que eram movidos pelo desejo de transformação do mundo e da própria vida. Muitos desfrutam, agora, do que queriam aos 20 anos. “Talvez essa geração, com maior renda e mais saúde, esteja revolucionando a terceira idade no Brasil”, diz o economista Marcelo Néri, chefe do Centro de Políticas Sociais do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV). Segundo ele, as pessoas acima de 60 anos formam o grupo que mais teve incremento financeiro nos últimos 14 anos.


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11/6/2008


 
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