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Os envelhecentes
Pela primeira vez, uma geração chega aos 60 anos desfrutando de liberdade emocional, sexualidade plena e segurança financeira. Como esta segunda adolescência virou um novo jeito de viver

RODRIGO CARDOSO

Aos sábados, Julião Escudero monta em sua Harley- Davidson pela manhã e cai na estrada junto com os colegas do grupo Anciões ao Vento, em São Paulo. Seus passeios geriátricos, como ele diz, só terminam no final da tarde. “Meu plano de vida é andar muito de moto”, conta
Julião Escudero Empresário, 66 anos

O ronco da motocicleta para ele é música. O vento que corta seu rosto e traz junto o cheiro do canavial, da plantação de laranja e de café faz seus olhos descansarem por alguns segundos, enquanto a mente viaja. “Casado” com uma Harley- Davidson há oito anos, o empresário paulista Julião Escudero faz terapia sentado na moto. Quando está de cabeça quente, ele dá a partida em Jundiaí, onde mora, e encara 150 quilômetros até o final da rodovia dos Bandeirantes, na região de Cordeirópolis. Ali, recarrega as baterias saboreando um prato de bacalhau. O plano de vida de Julião é andar com sua Harley enquanto conseguir segurá-la em pé. Outra meta é embarcar em um navio em Budapeste, acompanhado da esposa, Ellen, de 49 anos, subir o rio Reno e desembarcar em Amsterdã. Viajar de navio é um hábito do qual ele não abre mão pelo menos duas vezes por ano. “Eu me assusto quando digo que tenho 66 anos. Não me sinto assim”, diz Julião, que recentemente vendeu seu veleiro de 30 pés.

Assim como o empresário paulista, o carioca Mauro Siqueira, de 55 anos, jura que só deixa de curtir a vida por falta de dinheiro. Por causa da idade, jamais. Longas cavalgadas pelo interior do Estado, idas a restaurantes japoneses e a festas com amigas são alguns de seus programas prediletos. Separado e pai de uma garota de 12 anos, Mauro é professor de tênis e mestre na arte de desfrutar dos prazeres que estão ao seu alcance.

Julião e Mauro fazem parte de uma nova tribo: os envelhescentes. Quem convive com esses jovens de cabelos brancos passa a achar inconcebível a figura do idoso de antigamente, da vovó de coque na cabeça fazendo tricô ou do vovô no sofá da sala vendo tevê. Eles têm uma nova atitude diante da vida porque chegaram à maturidade em plena forma física, financeira e sexual (o Viagra é um aliado). “Conheço poucos da minha idade que agem como eu, mas muitos gostam de conviver ao meu lado, apesar de me acharem um bicho fora da caixa”, conta Alexandrino de Alencar, que acaba de comemorar seu aniversário de 60 anos com uma festa para mais de 200 convidados.

Diretor da construtora Odebrecht, Alexandrino tem pique e cabeça de fazer inveja a muito garotão. Não vive sem iPod, ícone da juventude deste século. Dia desses, só não fez o trajeto entre Brasília e São Paulo com o fone do aparelho no ouvido porque a aeromoça da companhia aérea não permitiu. Nos restaurantes onde bate ponto com freqüência para almoçar, jantar ou tomar vinho com amigos, é daqueles que criam intimidade com o garçom. Ele adora uma roda de samba – é sempre o pagodeiro mais animado da turma, assim como nas feijoadas que promove todo mês de dezembro para reunir amigos e familiares. Separado e pai de Bárbara, uma jovem de 18 anos, e Cissa, uma mulher de 34, Alexandrino correu recentemente uma maratona ao lado da caçula, com quem sairá de viagem para Angola no meio do ano. A primogênita é sua parceira de samba e já cedeu a casa para o pai montar um circo e dar uma festa (com malabaristas e palhaços).

Recentemente, Leonor e o marido, Antônio Luiz Cervoli, rodaram três mil quilômetros pela Europa. Antes, fizeram um cruzeiro de 20 dias pela Espanha e África. Os dois já reservaram um restaurante para o Dia dos Namorados. “Curto muito mais a vida hoje do que nos anos 60”, diz ela, que foi Miss Paulistana 2007 para pessoas acima de 60 anos. Mãe duas vezes e avó, Leonor faz cem abdominais todos os dias porque quer continuar usando biquíni

Antônio Luiz e Leonor Escritor, 64 anos, e vendedora de jóias, 62 anos


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11/6/2008


 
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