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Mulheres na defesa
Elas aprendem a lutar krav magá para se proteger de bandidos nas ruas

RENATO GARCIA

PAULO JARES/AG. ISTOÉ
EM AÇÃO Isabela, 18 anos, em ação: vale até golpes baixos

Alvos preferenciais de assaltantes, as mulheres estão procurando as academias de krav magá, uma luta israelense, para aprender a se defender. Atualmente, elas representam 30% dos alunos nas 40 academias existentes no Rio, uma das cidades mais violentas do País. Por que as mulheres se interessam por essa luta? Segundo o professor Márcio Hirszberg, 32 anos, porque os movimentos são simples, rápidos e objetivos, e vale tudo, como dedo nos olhos ou puxar os órgãos genitais do agressor. A idéia é atingir os pontos mais vulneráveis para neutralizar o bandido. É uma luta acessível a pessoas de qualquer idade e capacidade física e, não por acaso, os alunos têm entre seis e 70 anos.

Uma das adeptas, a médica Maria Ana Brandão, 40 anos, foi vítima de assalto, no ano passado, praticamente na porta da escola de seus filhos, de dois e cinco anos, em Botafogo, zona sul do Rio. Dois homens, numa motocicleta, tentaram roubar sua bolsa. O que mais assustou a médica foi sua própria reação: “Eu persegui os bandidos, impensadamente, correndo o risco de levar um tiro.” No dia seguinte, ela resolveu procurar algum “treinamento para sobrevivência” e se decidiu por uma academia de krav magá. Melhorou a sensação de segurança, embora não tenha superado o trauma do assalto. “Até hoje me sinto assustada quando lembro da minha reação intempestiva”, afirma.

O krav magá foi criado por Imi Lichtenfeld na década de 40 com um grupo de elite do Exército israelense para missões especiais. Em 1964, os militares abriram cursos para civis, formando um grupo de 13 instrutores, entre eles o mestre Kobi Lichtenstein, que se tornou responsável por difundir a prática em toda a América Latina. Kobi chegou ao Brasil em 1990, instalando a primeira academia no Rio. Ele explica que a luta foi criada para vencer o medo. E, com orgulho, afirma que não há registros de casos de lutadores envolvidos em brigas de rua. “Não existem pit boys no krav magá”, declara o mestre.

Mais um motivo pelo qual as mulheres se identificam com essa luta: além das técnicas, os instrutores passam aos alunos a conscientização de que a luta só pode ser empregada para defesa pessoal. Segundo Kobi, apenas 16 horas de curso são suficientes para uma mulher estar tecnicamente apta a se livrar de um bandido, mas o curso dura, em média, quatro meses. A jovem Isabela Lessa de Lacerda Nick, 18 anos, pratica a luta há exatamente quatro meses. “Me sinto muito mais segura quando estou na rua”, garante. Isabela foi assaltada há dois anos, dentro de um ônibus. O ladrão levou seu celular, mas ela conseguiu, calmamente, convencê-lo a não roubar a bolsa com os documentos. A estudante, que se prepara para o vestibular de biologia, reconhece que há situações em que é melhor não esboçar nenhum tipo de reação. É uma sábia. O krav magá é sob medida para pessoas como ela.

“Eu persegui os bandidos, impensadamente, correndo o risco de levar um tiro. No dia seguinte, me inscrevi numa academia”
Maria Ana Brandão

 


11/6/2008


 
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