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PÉ-DE-VENTO Bolt bateu o recorde mundial dos 100 m |
Durante os anos 70, a Jamaica ganhou projeção internacional como a terra do reggae. Nas pegadas de Bob Marley, o país teve difundida a imagem de um paraíso tropical onde todos usavam cabelos trançados e andavam pelas ruas no compasso das batidas do ritmo. Nas últimas duas décadas, porém, um grupo de passadas aceleradas e cabeça raspada desbancou os astros da música do posto de heróis nacionais. Desde 1988, dos seis atletas que detiveram o recorde mundial dos 100 m rasos – e o título extra-oficial de homem mais veloz do mundo –, três nasceram na ilha caribenha. Estudante da Universidade de Tecnologia da Jamaica, Usain Bolt, 21 anos, é a mais nova jóia lapidada nas pistas locais. No domingo 1º, ele venceu o GP de Nova York em 9s72, desbancando por dois centésimos a marca que pertencia a seu compatriota Asafa Powell.
Bolt e Powell fazem parte de uma geração que não precisou deixar a Jamaica em busca de melhores condições de treinamento. O trabalho de base começa nos tradicionais campeonatos intercolegiais realizados desde 1910. E o intercâmbio com treinadores americanos elevou o grau de excelência nos centros universitários de atletismo. “Eles vivem ao nível do mar e o clima é quente, condições favoráveis para a prática de esportes que exigem potência”, diz Paulo Zogaib, médico da equipe de atletismo da BM&F. “O atletismo também é uma forma de ascensão social para os jamaicanos, todas as crianças sonham em ser corredores. Com tanta gente praticando fica mais fácil achar aqueles que são diferenciados.” Para o fisiologista Vitor Matsudo, diretor do centro de estudos do Laboratório de Aptidão Física, a chave do sucesso jamaicano passa pela genética. “Os negros produzem mais enzimas de contração rápida que os brancos, o que é uma vantagem em atividades que durem de 10 a 20 segundos”, afirma. “Nos negros caribenhos, essa particularidade parece ser aguçada.”
A corrida em Nova York foi apenas a quinta de Bolt, especialista nos 200 m, como profissional nos 100 m. Antes, ele nem sequer confirmara presença na prova da Olimpíada de Pequim. “Agora, tudo mudou”, disse o jamaicano, que classificou sua performance histórica como “99% perfeita”. O novo recordista foi modesto ou guarda alguma carta na manga? A verdade virá à tona em 16 de agosto, data da final da mais esperada prova do atletismo, quiçá dos Jogos Olímpicos.
