Um autor novato no horário nobre
Filho e neto único, como se define, o escritor carioca João Emanuel Carneiro, 38 anos, diz que tenta traduzir em suas obras os laços que unem as famílias, tradicionais ou não. Para o autor de A favorita, que dedica 12 horas diárias ao ofício, “quase em estado de transe”, a história do novo folhetim “pede para ser contada”.
ISTOÉ – Qual é o atrativo da trama?
João Emanuel Carneiro – Discutir o julgamento que fazemos das pessoas, falar sobre a dúvida e a ética. Sobre até que ponto uma pessoa pode ir sem trair seus princípios. Diversos personagens estão nesse limiar.
ISTOÉ – Que importância você dá para a opinião do público?
Carneiro – Para mim, ela nunca foi decisiva a ponto de mudar o rumo de uma história. Mas é claro que não estou pintando um quadro em minha casa. Tenho diversos caminhos para onde levar a novela. Eles vão depender mais do sentimento de vê-la no ar do que da opinião dos espectadores.
ISTOÉ – Você assinou o roteiro de filmes como Central do Brasil e Deus é brasileiro. Por que trocou o cinema pela tevê?
Carneiro – Porque a televisão é o lugar onde o escritor de audiovisual é valorizado. No cinema brasileiro, o roteirista nunca consegue contar a história que quer. Só pensaria em voltar para dirigir.
ISTOÉ – Sofreu algum preconceito com a escolha?
Carneiro – Da mídia, principalmente. O jornalismo é muito “baba ovo” do cinema nacional. Por ser uma arte de elite, é valorizado.
ISTOÉ – Segundo o cineasta Walter Salles, na novela Cobras e lagartos você plagiou um personagem dele. É verdade?
Carneiro – Este é um trauma recente para mim. Não falo sobre o assunto.
“A OPINIÃO DO PÚBLICO NÃO ME FARÁ MUDAR A NOVELA” |