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| MELHORIAS O Japão inspira a reforma. Ele está presente nos postes, pisos e fachadas |
Visitar o bairro da Liberdade, no centro de São Paulo, é entrar em um mundo de euforia. O local, que há 100 anos acolheu as primeiras famílias de imigrantes japoneses e atualmente é ponto de encontro de povos do Oriente, está prestes a passar por uma revolução urbanística. E a perspectiva de melhoria empolga moradores e comerciantes. De autoria do ex-monge hinduísta e arquiteto Márcio Lupion, com apoio do Instituto Kobayashi e aval da prefeitura, o Projeto Liberdade – Caminho do Imperador está orçado em R$ 55 milhões e prevê a recuperação de praças, viadutos e fachadas de comércios nas quatro ruas mais movimentadas do local. A reforma contempla a instalação de uma estátua de pedra de Buda com seis metros de altura.
Para acontecer, o projeto depende da iniciativa privada. Dividido em dez etapas, a primeira delas – que já tem patrocínio e está em obras – privilegia a Praça da Liberdade, com troca de piso, iluminação e adaptação para o estilo oriental de todas as fachadas. O patrocinador, um banco privado, desembolsou R$ 5,5 milhões e já adaptou a entrada de sua agência inspirado no palácio imperial de Osaka, no Japão. A idéia de ter o espaço revitalizado para a visita do príncipe herdeiro japonês Naruhito – que desembarca no País em 17 de junho –, no entanto, não vai se concretizar, pois as obras devem terminar em setembro. A chegada da autoridade será o ponto alto das comemorações dos 100 anos da imigração japonesa no Brasil.
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| DO JAPÃO Tsutomu Otsuka, de Nagasaki, casou no País, teve dois filhos, e mantém há 30 anos um salão no bairro |
Apesar de Lupion nunca ter ido ao Japão, o projeto é inspirado no país. Está impresso nos traços arquitetônicos, no charme dos postes de iluminação e no piso hidráulico. Mas nem todas as fachadas terão essa atmosfera nipônica. É que os donos de lojas chineses e coreanos, parcela significativa da população do bairro, preferem homenagear seus países de origem. É o caso do filho de chineses Edison Mu, 41 anos, proprietário do restaurante Shanghai, que faz questão que o dragão esculpido em madeira, há 47 anos na entrada de seu estabelecimento, seja mantido. “A primeira opção estava muito ‘japonesa’, por isso pedi que fossem feitas algumas alterações”, conta. “Fomos buscar na história de cada um elementos que nos ajudassem a pensar a arquitetura de suas lojas”, diz Lupion. De 100 anos para cá, a Liberdade passou por transformações. A principal foi ter deixado de ser reduto exclusivo de japoneses. Nos anos 80, chineses, movidos pela abertura econômica de seu país, imigraram para o Brasil. Os coreanos também estão a cada ano mais presentes por lá.
Os primeiros japoneses da Liberdade foram também os primeiros a pisar no País, trazidos pelo navio Kasato Maru, em 1908. “Os agricultores iam para o interior de São Paulo, Minas Gerais e do Paraná, e os que tinham profissões mais urbanas ficavam”, diz a historiadora Célia Sakurai. Nascido nos arredores de Nagasaki, Tsutomu Otsuka, 67 anos, chegou ao Brasil aos 25, trazendo na bagagem sua experiência no ofício de barbeiro. Montou salão, casou-se, teve dois filhos. Conseguiu colocar os dois na faculdade: um já é arquiteto e o outro está cursando veterinária. Orgulhoso do estabelecimento que mantém há 30 anos, é cauteloso quando o assunto é o projeto de reforma. “Brasileiro é bom em sonhar, difícil é realizar”, diz ele, que idealiza uma fachada que remeta a seu país de origem.
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| DA CHINA Edison Mu e sua mãe, Mu Tou Chon Fa, comandam restaurante aberto há 47 anos na Liberdade |