A chamada economia de mercado da China é a que mais cresceu no mundo. Cresceu tanto que, agora, tenta- se reduzir seu ritmo de 11% para 8% ao ano. Segundo o analista político Vladimir Pomar, isso ajudará a “diminuir a pressão sobre seus recursos e sobre sua infra-estrutura e a evitar tensões inflacionárias e sociais”. O crescimento do país não foi acompanhado por políticas ambientais rigorosas e o resultado é o altíssimo índice de poluição que degrada todo o país. Pequim é uma cidade com paisagem esmaecida por uma espécie de neblina permanente, na qual é praticamente impossível ver o azul do céu. Ainda assim, os chineses são longevos e têm vida de qualidade graças à alimentação à base de raízes, peixes, legumes e, provavelmente, à milenar paciência chinesa. É, sem dúvida, um belo país.
REFLEXOS DA TRAGÉDIA
Depois dos violentos confrontos com monges tibetanos que a transformaram em vilã internacional – a ponto de a tocha olímpica ser aviltada mundo afora porque a Olimpíada será realizada em Pequim –, a China passa a ser vista como vítima devido ao terremoto que atingiu o sudoeste do país no dia 12 de maio e causou a morte de quase 70 mil pessoas. À sombra da tragédia, o governo emite um importante sinal de mudança dos tempos e permite alterações na lei do filho único que vigora desde a década de 70 para os casais. Os pais que perderam ou tiveram o filho mutilado pelo pior tremor de terra dos últimos 30 anos poderão gerar novo bebê ou adotar uma criança órfã. Todo o país se esforça para minorar o sofrimento das famílias que foram desfeitas. Cartazes espalhados por metrôs e outros espaços públicos solicitam doações por celular, através de números 0800, pela internet etc. Ao rever sua política de controle da natalidade nesse momento de comoção para todos os chineses, a China mostra que a flexibilização, enfim, faz parte do governo.
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MUDANÇA Mães como Zheng Rhongchong poderão ter outro filho |
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