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Editorial  
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O bicho da CSS

A Contribuição Social para a Saúde (CSS) é a mais nova tungada tributária que a base governista decidiu lançar na disputa com a oposição no Congresso. O presidente Lula e seus partidários não se conformam com a derrota que sofreram quando tentaram no final do ano passado prorrogar a CPMF – o “imposto do cheque”, que de provisório não tinha nada – e decidiram dar nova roupagem à velha fórmula, mudando nome e tarifa, para ver se pegava. A CSS surfa na onda do oportunismo barato. Com os bons índices econômicos e notícias de “upgrade” do País nas avaliações realizadas por agências de risco, os aliados do governo acreditam contar com boa margem de prestígio para FOLHA IMAGEMangariar dinheiro extra e, por tabela, dar o troco nos adversários políticos. Esqueceram de combinar com os adversários. No caso, a grande maioria dos contribuintes brasileiros, que não agüentam mais tanta sanha arrecadatória. Chega a chocar o fato de certos setores ainda cogitarem o aumento da carga, sob qualquer alegação. Gastos extras com funcionalismo público e outros custos da máquina estão a mostrar que o caixa da União padece de uma política de despesas frouxas e de um apetite por cobranças sem limites. Recordes no recolhimento de impostos vêm sendo batidos a cada dia e nem toda essa dinheirama parece, pelas alegações levantadas para defender a CSS, ser suficiente. Às vésperas de uma nova corrida eleitoral, a medida de lançamento da CSS é ao mesmo tempo danosa para a imagem dos seus criadores e providencial para azeitar a máquina pública sempre a serviço dos que estão no poder. Rebatizar a famigerada CPMF não torna menos amargos seus efeitos para quem tem de pagar a conta. E além do fato de penalizar duramente os contribuintes, a nova CSS, caso entre em vigor, será uma ameaça forte à retomada econômica em curso, dado que inibirá o investimento privado e o consumo, dois fundamentais motores do crescimento. Ao ignorar a indignação da sociedade com tantos impostos, os defensores da CSS também entram num perigoso caminho de confronto com os eleitores, que podem cobrar um alto preço lá na frente nas urnas.


4/6/2008


 
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