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Um governador brigão
Blairo Maggi diz que o mato grosso deve ser tratado de maneira "diferente" do que o resto da Amazônia

RUDOLFO LAGO

Maggi aposta suas fichas num projeto de mapeamento das potencialidades das terras do Estado. Encontra-se em fase final de tramitação na Assembléia Legislativa o projeto de lei que estabelecerá o Zoneamento Socioeconômico Ecológico de Mato Grosso. Trata-se de um mapeamento completo da situação matogrossense, levando em conta o tipo de vegetação, a possibilidade de exploração e as necessidades sociais de cada região. A partir desse mapeamento, será possível, com conhecimento científico, dizer se determinada área é ideal para plantação de soja, criação de gado ou, simplesmente, para a exploração da floresta, com técnicas de manejo sustentável. Com base nesse zoneamento, o governo estabelecerá protocolos com os setores produtivos, com regras e metas estabelecidas de produtividade e preservação ambiental. Na sexta-feira 23, num encontro em Belém, Maggi entregou o piloto desse projeto ao presidente Lula.

“Chega de sermos considerados vilões”

O governador Blairo Maggi quer superar as diferenças com o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, que ele atribui a informações distorcidas de ONGs ambientalistas. Maggi prega um tratamento para o seu Estado que respeite as peculiaridades de Mato Grosso em comparação com outras regiões da Amazônia. Em outras palavras, sem hostilizar a produção agrícola. A seguir, trechos da entrevista concedida à ISTOÉ:

ISTOÉ – O sr. é o grande vilão ambiental?
Blairo Maggi – Eu sempre fui claro sobre a necessidade de uma relação entre os setores produtivos e as questões ambientais. Mas não se faz omelete sem quebrar os ovos. É preciso lembrar que existe uma legislação que permite a ocupação produtiva de até 20% das áreas de floresta.

ISTOÉ – Esse limite tem sido respeitado em Mato Grosso?
Maggi – O problema é que houve um hiato provocado por uma modificação na legislação feita por medida provisória. Antes, a possibilidade de ocupação da floresta era de 50%. Alguns agricultores imaginam que medida provisória é algo que pode ser modificado. Eu acho que é lei e precisa ser cumprida. Mas é preciso entender também que o Mato Grosso vive uma realidade diferente da de alguns outros Estados da Amazônia Legal.

"Não planto soja nos Andes porque o clima não permite"

ISTOÉ – Onde está a diferença?
Maggi – Em primeiro lugar, dois terços do Estado são cerrado. Não dá para tratar essa região da mesma forma como se trata a Floresta Amazônica. Além disso, temos uma população de agricultores que foi trazida para cá por programas governamentais. Eu sou tataraneto de agricultores e espero que meu filho seja agricultor também. Estamos falando de agricultores, como eu. Não tem sentido sermos tratados como vilões. Há tarefa mais bonita que produzir alimentos? Essa questão pode parecer menor numa terra de abundância como a nossa, porque não sentimos a miséria que existe na África ou no Haiti.

ISTOÉ – O sr. plantaria soja nos Andes, como disse o ministro Minc?
Maggi – Nos Andes não dá, porque o clima não permite. É claro que o ministro falou no sentido figurativo. Planto com muito orgulho soja no meu país. Mas, apesar dessa polêmica inicial, acredito que me darei muito bem com o ministro. Acho que ele não terá as dificuldades que tinha a ministra Marina para compreender as peculiaridades de Mato Grosso. Tenho certeza de que, quando ele tomar conhecimento, verá que o Mato Grosso respeita a legislação ambiental.


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4/6/2008


 
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