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Educação no século 21
O que precisa mudar nos métodos de ensino, nas escolas e nos professores para que nossas crianças estejam preparadas para o futuro

JONAS FURTADO

A guinada da educação para entrar em sintonia com o século 21 passa necessariamente pela atualização do corpo de professores e diretores das escolas, pelo investimento total e correto dos orçamentos públicos e pela reformulação e flexibilização da grade, com uma revisão radical dos valores e habilidades ensinados. É preciso balancear o conhecimento básico histórico das disciplinas com exercícios que proponham soluções para nossos problemas atuais e futuros. "Nosso sistema de aprendizagem é muito voltado para o passado. Os alunos precisam de uma reorientação temporal, precisamos ensiná-los a olhar para a frente. É vislumbrando o futuro que mudamos o presente", diz Rosa Alegria, futurista, pesquisadora de tendências e uma das diretoras do Projeto Millenium. Ou seja: é muito mais importante estar a par dos problemas ambientais envolvendo a Amazônia - e conceber propostas para eles a partir de uma síntese interdisciplinar - do que saber de cor e salteado os nomes de todos os afluentes do rio Amazonas. É da fusão do conhecimento de duas ou mais matérias que surgem as inovações tecnológicas e soluções para os conflitos cotidianos.

ARTE: RICA

IBRAHIM CRUZ/AG. ISTOÉ
Interdisciplinar Na Escola Estadual Jardim Iguatemi, em São Paulo, o tema Amazônia permeará todas as matérias e atividades deste ano

Na vanguarda das mudanças, algumas escolas públicas do Brasil já aplicam a nova ordem educacional. Em São Mateus, bairro da periferia de São Paulo sem sequer saneamento básico, a Escola Estadual Jardim Iguatemi é a principal referência para as crianças e a comunidade. No início do ano letivo, um assunto universal é eleito para permear todas as atividades. Em 2002, quando o projeto foi lançado sob o tema "Arte", as classes receberam nomes de grandes pintores - em vez da 5ªA, por exemplo, havia a 5ª Tarsila do Amaral. "Como eles nunca saem do entorno do bairro, essas intervenções fazem com que deixem de lado a realidade de escassez em que vivem e fiquem mais próximos do mundo", afirma Suzy Ribeiro, diretora da escola. "Tentamos mostrar aos alunos que não estamos aqui só para ensinar a ler e a escrever; queremos que eles vejam a vida de outra maneira", continua. "Há seis anos, apenas 20 dos 400 alunos aptos prestaram vestibular. Em 2007, foram 200. Entre as meninas, em 2002 foram pedidas 48 licenças de adolescentes gestantes; no ano passado, tivemos apenas duas."

No Rio de Janeiro, o projeto Carta Animada Pela Paz dá aos alunos da rede municipal a oportunidade de aprender a fazer animações com os profissionais da MultiRio. Regina de Assis diz que a utilização de novas linguagens é fundamental para chacoalhar a monotonia que impera nas salas de aula. Para a educadora, a humanidade está ligada por uma megarrede de informação que não pode ser excluída do ensino. "É importante que as linguagens múltiplas, como a tevê e a internet, sejam aproveitadas. Mas vale ressaltar que essa nova era de informação não se desfaz dos professores e dos livros. Pelo contrário: o professor tem que ser um grande provocador do conhecimento", afirma. "A escola tem que ser do tamanho do mundo, e não das suas paredes."


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4/6/2008


 
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