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Educação no século 21
O que precisa mudar nos métodos de ensino, nas escolas e nos professores para que nossas crianças estejam preparadas para o futuro

JONAS FURTADO

O mundo é uma escola Na era das múltiplas formas de acesso à informação, o aprendizado não pode ficar restrito à sala de aula

Enquanto caminhamos para o desfecho da primeira década do terceiro milênio, raros setores da sociedade mantêm estruturas e conceitos básicos tão parecidos com os de meados do século passado quanto a educação. Na era da tecnologia e da informação, há tempos não somos mais os mesmos, mas ainda aprendemos como os nossos pais - ao menos nas escolas. Sentadas em carteiras enfileiradas, de frente para o quadro negro, crianças anotam em seus cadernos e ouvem o professor reproduzir histórias tiradas de livros que já saem desatualizados das gráficas. Em um paradoxo com as sensações e oportunidades oferecidas pelo universo multimídia exterior, o entusiasmo dentro da maioria das salas de aula lembra o de um funeral.

Novas linguagens Durante o projeto Carta Animada Pela Paz, alunos da rede municipal do Rio de Janeiro aprendem a fazer animações

O descompasso do sistema educacional diante do ritmo acelerado de transformações em outros setores não é um problema exclusivo do Brasil. Sob o tema Globalização e Educação: Rumo a uma Sociedade de Conhecimento, a Associação Mundial de Ciências da Educação discutirá qual a função do saber em uma sociedade de ciclos efêmeros como a nossa durante seu 15º congresso internacional, a ser realizado entre 2 e 6 de junho, em Marrakesh, no Marrocos, com patrocínio da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura). "A escola está alheia aos problemas ambientais e sociais que o mundo enfrenta em nossos dias, a ideologia não é vinculada à prática", afirma Ivani Fazenda, coordenadora do Grupo de Estudos e Pesquisa em Interdisciplinaridade da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e representante brasileira no congresso. "Na escola de hoje as crianças não têm desejo e os desejos dos professores não são respeitados. Anular isso é acabar com a possibilidade de mudança da cultura de uma sociedade."

A preocupação com o aumento do abismo social do País faz com que os educadores defendam a revisão do papel da escola e a conseqüente atualização dos métodos educacionais como única maneira de evitar que uma grande parcela das crianças comprometa seu desenvolvimento pessoal. "Caso contrário, haverá uma exclusão ainda maior dos menos favorecidos, pois a escola pública não acompanha o cotidiano", diz Regina de Assis, ex-secretária municipal de Educação do Rio de Janeiro e atual presidente da Multi- Rio, produtora de mídias ligada à secretaria. Para ela, a escola deve ser o lugar do diálogo de gerações diversas e desiguais, que buscam a constituição de conhecimentos e valores indispensáveis ao bem-estar comum. "Se o mercado se sobrepuser à vida cidadã, continuaremos a viver num país que concentra três quartos de sua riqueza nas mãos de 10% da população", conclui.

Multicultural Na Brasilia International School, que atende a comunidade internacional da capital federal, a diversidade é valorizada

É um desafio e tanto para nossas escolas, concebidas para formar trabalhadores hábeis para os setores da indústria e agricultura. A economia contemporânea global exige indivíduos que conheçam culturas diferentes da sua, pensem além das disciplinas, sejam capazes de resolver problemas abstratos e trabalhar em equipe, além de buscar e avaliar novas fontes de informação. "Nós acreditamos no ensino individualizado: toda criança é única e especial e tem sua forma de absorver conhecimento", afirma Daniel Lopes, diretor da Brasilia International School, escola que atende a comunidade internacional que vive na capital federal. "Preparamos nossos alunos para serem cidadãos globais e causarem um impacto positivo no mundo em que vivem. Enfatizamos que, apesar das diferenças, eles têm que trabalhar juntos. As crianças entendem e percebem como se encaixam nessa diversidade. E diversidade gera riqueza e sucesso."


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4/6/2008


 
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