A falsa assinatura do pai
A Casa de Saúde Dr. Eiras, em Botafogo, era um local familiar para Paulo Coelho. Ele foi internado nesse hospital três vezes – fugiu duas. À primeira vista, o então adolescente não tinha nada de loucura, a não ser o gosto de quebrar tudo à sua volta quando se sentia deprimido e falsificar a assinatura do pai numa carta de apresentação a um emprego. Os médicos, no entanto, o diagnosticaram como “esquizóide” e ele foi submetido a tratamento com eletrochoques. Com o tempo, Paulo Coelho passou a procurar o psiquiatra que o tratara, o dr. Benjamim Gaspar Gomes, toda vez que sentia vontade de se suicidar. Mais tarde foi informado de que sofre da patologia denominada “síndrome de Estocolmo” – tendência a se apaixonar e desenvolver dependência pelo algoz. A última internação foi aos 19 anos.
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PAZ Com Christina, a mulher atual |
Casamento aberto e fidelidade
O escritor teve muitas paixões na fase adulta: a socialite Vera Richter, a militante Adalgisa de Magalhães, a atriz Maria do Rosário Nascimento e Silva, a jornalista Cecília MacDowell e a artista plástica Christina Oiticica, com quem é casado desde 1980. Em Londres, Cecília experimentou com ele sexo grupal: ela concordou em dividir o leito com a japonesa Keiko, mas levou para a casa o produtor musical Peninha. Separou-se do marido porque havia cansado de suas “extravagâncias sexuais”, como, por exemplo, propor a ela que fossem buscar alguns “caras” na Cinelândia para apimentar a relação. Antes de conhecer Christina, Paulo Coelho disse que havia se cansado das mulheres- vampiros, que sugavam a energia de que precisava para escrever livros, seu grande sonho de garoto.
Drogas e primeira manifestação divina
Como todo hippie, Paulo Coelho se interessou na juventude pelas drogas. Começou pela maconha e logo passou para o haxixe (o livro traz um longo relato de uma experiência com o alucinógeno) e o LSD. Quando estava com Vera, viajou à Bolívia e passou cinco dias sob o efeito de mescal, alucinógeno destilado de um cactus. Decidiu parar com a cocaína em 1974, ao chegar a um hotel, em Nova York, e ver o amigo e parceiro musical Raul Seixas estatelado no sofá sob o efeito dessa substância. Ele diz que abandonou a maconha depois que passou pela sua primeira epifania (manifestação divina) em 1982 ao visitar o campo de concentração de Dachau, na Alemanha.
O bruxo e o anel de serpente
Filiado a uma entidade esotérica, aos 27 anos Paulo Coelho invocou o demônio e diz ter recebido a sua visita. Afirma que sentiu um cheiro sufocante de cadáveres, ouviu barulhos ensurdecedores e não conseguiu ficar em pé. Pouco tempo depois, foi seqüestrado pelo DOI-Codi (órgão repressivo da ditadura militar), sob a acusação de ser subversivo. Decidiu então nunca mais lidar com a chamada magia negra. Após a já citada epifania em Dachau, quando diz que recebera a visitação de uma luz em forma humana, Paulo Coelho conta que foi procurado por um mago chamado J em um hotel na Holanda. J se tornou, então, o grande bruxo de sua vida e eles marcaram um encontro em Estocolmo. Lá, teria conhecido uma mulher que lhe colocou um anel de serpente no dedo médio de sua mão esquerda. Ele nunca mais o tirou.
DUAS DÉCADAS DE ALQUIMIA |
O alquimista é o mais importante fenômeno literário do século XX e também a obra que projetou mundialmente o escritor Paulo Coelho. O livro vendeu 41 milhões de exemplares, foi traduzido para 67 idiomas, editado em 150 países e recebeu elogios de personalidades como o ex-presidente americano Bill Clinton e a cantora Madonna. Na comemoração dos 20 anos de seu lançamento, a Espanha batizará uma rua de Santiago de Compostela com o nome do escritor.
1987 – O diário de um mago conta a experiência de Coelho ao trilhar o místico Caminho de Santiago. Vendeu 30 milhões de exemplares.
1988 – O alquimista narra a vida de um pastor. Vai ser adaptado para o cinema.
1990 – Brida revela histórias de feitiçaria e vendeu dois milhões de exemplares.
2003 – Onze minutos aborda o dia-a-dia de uma prostituta na Suíça. Vendeu três milhões de exemplares. |
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